Levantamento aponta que preço de alguns alimentos desacelerou e esse fenômeno ajudou a conter a inflação

Redação Publicado em 09/06/2022, às 00h00 - Atualizado às 18h47
Depois de meses de combustíveis e tarifa de energia elétrica elevados, a inflação no Brasil passou a ser impactada pelos preços das passagens aéreas e dos remédios no mês de maio. Em contrapartida, os valores dos alimentos contribuíram para manter a taxa sob controle.
Esse cenário foi apontado por um novo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta quinta-feira (9). Segundo os dados, a inflação desacelerou, sofrendo uma variação de 1,06% em abril para 0,47%, com a menor taxa mensal desde abril de 2021 (0,31%). Consequentemente, a inflação acumulada em 12 meses também passou por uma redução, de 12,13% para 11,73%.
Por outro lado, o IBGE concluiu que, entre os produtos e serviços analisados para compor a taxa, a passagem aérea foi o fator que mais afetou a inflação em maio. Esse item registrou um aumento de 18.33% na comparação com abril, em torno de 0,08 ponto percentual em relação àinflação de maio.
Segundo Pedro Kislanov, gerente da pesquisa de Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o aumento no preço das passagens se explica pela alta nos combustíveis para aviação e pela demanda do momento.
“São, basicamente, dois fatores que ajudam a explicar o aumento nos preços das passagens aéreas.Tem o efeito dos custos, por causa da alta no preço da querosene de aviação, e também o efeito da demanda, já que houve um reaquecimento da demanda por viagens que ficou reprimida desde o começo da pandemia”, apontou o pesquisador.
No entanto, Kislanov também apontou que o desempenho do PIB do primeiro trimestre teve influência sobre a demanda de passagem aérea no país, já que o setor de serviços foi o responsável por estabilizar a economia.
“Vale fazer uma ressalva de que a coleta das passagens aéreas é feita dois meses antes. Neste caso, os preços das passagens aéreas foram coletados em março para viagens que seriam realizadas em maio”.
O segundo item mais impactado pelainflação foram os produtos farmacêuticos, que registraram alta de 2,51% em maio provocada pelo reajuste sancionado pelo Governo Federal de 10,89% sobre os preços de remédios.
De acordo com o IBGE, essa mudança na tabela de preços de medicamento foi autorizada em abril, mas provavelmente foi aplicada pelos varejistas de forma gradual, trazendo resultados para o mês de maio.
Até então, o elemento que mais assustava os consumidores nos supermercados era o alimento, em razão da alta dos preços de muitos itens. No entanto, um estudo do IBGE apurou que, desta vez, os alimentos ajudaram a controlar a inflação entre abril e maio.
O IPCA do grupo de alimentos e bebidas registrou uma desaceleração de 2,06% em abril para 0,48% em maio. O levantamento também indicou um cenário de deflação para os alimentos priorizados pelas famílias brasileiras no mês de maio, mas esse fenômeno começou a partir de abril, quando a queda nos preços de alguns alimentos começaram a pressionar ainflação. E por efeito, essa tendência seguiu para maio.
As principais quedas nos preços de alimentos entre abril para maio foram do tomate(-23,72%), da cenoura (-24,07%) e batata-inglesa (-3,94%). Mesmo com a deflação na comparação mensal, em 12 meses estes produtos acumulam alta, respectivamente, de 55.62%, 116,37% e 54,30%.
A onda de declínio também foi percebida entre as Hortaliças e verduras (-3,22%), e frutas (-2,30%), que também tiveram deflação em maio, mas em 12 meses também acumulam alta expressiva, de 32,15% e 25,30%, respectivamente.
Contudo, outros alimentos muito presentes na mesa dos brasileiros continuaram caros em maio. Como por exemplo, a cebola, que registrou aumento médio de 21,36%, assim como o feijão-carioca, de 7,31% e o leite longa vida, de 4,65%.
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