Reconhecimento de vínculo de emprego é a 22ª questão mais recorrente na Justiça do Trabalho, com 786 mil ações de 2019 até junho de 2023

Marina Milani Publicado em 30/01/2024, às 07h41
O Procurador-Geral da República (PGR), Paulo Gonet, surpreende ao defender a anulação de uma decisão da Justiça do Trabalho que reconheceu vínculo empregatício entre um entregador e o aplicativo Rappi. Essa mudança de posição contrasta com o parecer anterior de Augusto Aras, seu antecessor, que respaldava as decisões favoráveis à chamada “pejotização”. O cenário reflete as complexidades do debate em torno das relações de trabalho e da liberdade econômica.
A atual posição de Gonet alinha-se à maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que em 2023 acolheu 63% dos pedidos de empresas para anular decisões da Justiça do Trabalho relacionadas ao reconhecimento de vínculo de emprego. Este posicionamento baseia-se em precedentes que possibilitam relações de trabalho alternativas à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), ressaltando a Constituição como defensora da liberdade econômica.
Entretanto, essa postura do STF tem gerado atritos com magistrados trabalhistas, que discordam dos argumentos dos ministros e vislumbram riscos à proteção do trabalho digno. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo, critica o Tribunal Superior do Trabalho (TST), acusando-o de colocar obstáculos à reforma trabalhista e classificando essa atitude como uma “tentativa inócua de frustrar a evolução dos meios de produção”.
O embate não é recente. Em manifestações anteriores, Augusto Aras, favorável aos trabalhadores, destacou que a terceirização só se legitima quando não é utilizada para burlar o vínculo de emprego. A divergência de opiniões acirra ainda mais o debate sobre a regulamentação das relações trabalhistas no país.
Em 8 de fevereiro, o STF está programado para analisar o tema no plenário, buscando uniformizar a jurisprudência e definir claramente o que é permitido e o que é proibido na terceirização. Apesar de a Suprema Corte ter validado a terceirização da atividade-fim em 2018, questões como a pejotização e a situação dos trabalhadores de aplicativos não foram abordadas explicitamente, gerando dúvidas sobre a abrangência daquele entendimento.
O reconhecimento de vínculo de emprego é a 22ª questão mais recorrente na Justiça do Trabalho, com 786 mil ações envolvendo o tema de 2019 até junho de 2023, de acordo com o Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Leia também

Relembre a Lei Mariana Ferrer, criada após revolta com audiência do caso

Anac autoriza duas novas companhias aéreas internacionais a operar no Brasil

Investigado por suposta falsificação de peças de luxo já foi denunciado pelo GAECO em caso de roubo de cargas

Incêndio destrói galpão de distribuidora de autopeças na Lapa, em São Paulo

Apoiadora de Bolsonaro realiza vigília em condomínio mesmo após restrição imposta por Moraes

Exame do IML não detecta lesões em menina de 4 anos; polícia segue com investigação em caso de clube social

Caiado promete pacote de reformas no primeiro dia de governo e inclui mudanças no STF

Thiago Brennand vai se casar com advogada que atua em sua defesa criminal

Justiça bloqueia veículos de empresa de Ana Hickmann em ação por cheques sem fundo

PF investiga suposta fraude financeira no Banco Digimais, ligado a Edir Macedo