Falta de autorização do Incra e do Congresso fere a lei para compra de terras por estrangeiros, segundo procuradores

Redação Publicado em 05/10/2023, às 18h30
O Ministério Público Federal (MPF) solicitou à Justiça que mantenha a suspensão da transferência das ações da Eldorado Brasil Celulose para a Paper Excellence, até que a empresa estrangeira apresente as devidas autorizações do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Congresso Nacional, necessárias para assumir o controle das terras sob administração da empresa brasileira. A informação foi divulgada inicialmente pela coluna Radar Econômico da revista Veja.
O pedido foi apresentado em uma Ação Civil Pública (ACP) movida no estado de Mato Grosso do Sul, onde estão localizadas as florestas e a fábrica da Eldorado. Em uma petição datada de 25 de setembro, os procuradores Marcelo José da Silva e Michel Havrenne também solicitaram que o Ministério Público Federal (MPF) seja reconhecido como o autor da ação, dada sua relevância, uma vez que envolve "um interesse público primordial de extrema importância, que visa assegurar a estrita conformidade com as normas que regulamentam a aquisição de propriedades rurais por estrangeiros e entidades equivalentes, com o objetivo de preservar, entre outros aspectos, a soberania e a segurança nacionais".
Além da falta de autorização do Incra e do Congresso Nacional à aquisição pela Paper Excellence, o MPF alerta para o fato de que, em alguns municípios, a área detida pela Eldorado supera os limites previstos na lei para aquisição por estrangeiros. Ou seja, a aquisição dessa quantidade de terras nunca poderia ser legalmente autorizada pelos órgãos responsáveis.
A posição do Ministério Público Federal segue pareceres da Procuradoria Geral da República (PGR) junto ao Supremo Tribunal Federal e manifestações da Advocacia Geral da União (AGU) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no sentido de que deve-se fazer cumprir a Lei de Terras e os limites e processos de autorização para a compra de terras por empresas controladas por pessoas físicas ou jurídicas estrangeiras.
No pedido, o MPF ressalva que “não irá se imiscuir nos termos da negociação celebrada entre as partes (acordo empresarial de cunho privado)”. “O interesse público primário que leva o MPF a assumir o polo ativo deste processo restringe-se ao exame das questões atinentes à obediência às normas que regulam a aquisição/arrendamento de imóveis rurais por pessoas estrangeiras ou equiparadas a estrangeiras, em prestígio à soberania e à segurança nacional”. As informações foram confirmadas pela redação pela redação.
Uma decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em outra ação, já proíbe a transferência de ações da Eldorado para a Paper Excellence enquanto a estrangeira não apresentar as autorizações do Incra e do Congresso Nacional. Agora, o MPF pede que as duas ações sejam reunidas no Mato Grosso do Sul.
A Eldorado é alvo de uma disputa societária desde 2018, entre a controladora J&F Investimentos e a sócia minoritária Paper Excellence. A estrangeira detém 49,5% das ações e as empresas brigam no Judiciário pelos 50,5% que a J&F possui.
Leia também

Relembre a Lei Mariana Ferrer, criada após revolta com audiência do caso

Anac autoriza duas novas companhias aéreas internacionais a operar no Brasil

Incêndio destrói galpão de distribuidora de autopeças na Lapa, em São Paulo

Investigado por suposta falsificação de peças de luxo já foi denunciado pelo GAECO em caso de roubo de cargas

São Paulo entra em alerta para temporais, ventos fortes e queda brusca de temperatura

STF oficializa fim da aposentadoria compulsória como punição máxima para juízes

Influenciadora rebate críticas por namoro com ex-presidente da CBF 53 anos mais velho

Metrô de São Paulo distribui álbuns da Copa do Mundo e promove ação solidária com figurinhas repetidas

Torre Eiffel fecha as portas em meio a onda de calor histórica que castiga a França

Mulher é condenada a 66 anos de prisão por envenenar ovo de Páscoa e matar crianças no Maranhão