Levantamento Quaest mostra resistência à proposta em debate no governo; população teme aumento de preços e maior impacto sobre os mais pobres.

Ana Beatriz Publicado em 18/03/2026, às 12h39
Uma pesquisa da Quaest, em parceria com a ANR, revela que 71% da população se opõe à proposta de uma taxa mínima de R$ 10 por entrega em aplicativos, que está sendo debatida na regulamentação do trabalho por aplicativos no Brasil.
A proposta visa garantir uma renda mínima aos trabalhadores, mas 78% dos entrevistados acreditam que isso resultaria em aumento nos preços dos serviços, afetando especialmente as pessoas de menor renda, que seriam as mais prejudicadas.
Atualmente, a proposta ainda está em discussão e não foi implementada, com o debate envolvendo governo, empresas e trabalhadores, indicando que qualquer decisão terá impacto significativo na economia e no mercado de aplicativos.
Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (17) pela Quaest, em parceria com a Associação Nacional dos Restaurantes (ANR), revela que a proposta de criação de uma taxa mínima de R$ 10 por entrega em aplicativos enfrenta forte rejeição da população brasileira. Segundo o levantamento, 71% dos entrevistados são contrários à medida, que está sendo discutida no contexto da regulamentação do trabalho por aplicativos no país.
A proposta em análise prevê o pagamento mínimo de R$ 10 por entrega realizada por trabalhadores de aplicativos, além de um adicional de R$ 2,50 por quilômetro em trajetos superiores a quatro quilômetros. A iniciativa faz parte de discussões mais amplas sobre direitos, remuneração e condições de trabalho de entregadores e motoristas de plataformas digitais.
Apesar do objetivo de garantir uma renda mínima aos trabalhadores, a percepção predominante entre os brasileiros é de que a medida pode gerar efeitos negativos no custo final dos serviços. De acordo com a pesquisa, 78% dos entrevistados acreditam que a taxa mínima resultaria em aumento no preço dos pedidos realizados por aplicativos.
O impacto social da proposta também aparece como uma preocupação relevante. Para 86% dos participantes, as pessoas de menor renda seriam as mais prejudicadas com a possível elevação dos preços, já que esse público tende a ser mais sensível a variações no custo de serviços como delivery de alimentos.
Quando questionados diretamente sobre a disposição de pagar mais caro pelas entregas, os dados reforçam a resistência à medida. Segundo o levantamento, 71% afirmam que não estariam dispostos a pagar valores mais altos, enquanto apenas 29% disseram que aceitariam arcar com o aumento.
Conhecimento sobre a proposta
A pesquisa também avaliou o nível de conhecimento da população sobre o tema. O estudo aponta que a discussão já alcançou grande visibilidade:
Os números indicam que a pauta deixou de ser restrita a especialistas e passou a fazer parte do debate público mais amplo, especialmente diante do crescimento do uso de aplicativos de entrega no cotidiano das cidades brasileiras.
Contexto da regulamentação
A discussão sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos tem ganhado força nos últimos anos, impulsionada pelo aumento da demanda por serviços de delivery e transporte por plataformas digitais. O debate envolve diferentes interesses, incluindo:
Enquanto representantes dos trabalhadores defendem regras que garantam remuneração mínima e proteção social, empresas e parte do setor de restaurantes alertam para o risco de aumento de preços e possível redução da demanda.
Metodologia da pesquisa
O levantamento Quaest/ANR foi realizado entre os dias 13 e 16 de março, com 1.031 entrevistas presenciais em todo o país, envolvendo pessoas com 16 anos ou mais. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
Debate segue em aberto
A proposta de taxa mínima ainda está em fase de discussão e não foi implementada. O tema deve continuar sendo debatido entre governo, empresas, trabalhadores e representantes do setor de alimentação.
O resultado da pesquisa reforça que qualquer decisão sobre o tema terá impacto direto no bolso dos consumidores e na dinâmica do mercado de aplicativos, tornando o debate ainda mais sensível do ponto de vista econômico e social.
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