Em encontro com MST, pesidente também promete investimentos em habitação e compra de terras

por Marina Milani
Publicado em 17/08/2024, às 19h36
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou ao Banco do Brasil e ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a criação de um programa de renegociação de dívidas voltado às famílias do campo, nos moldes do programa “Desenrola”. A informação foi confirmada pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, após um encontro de Lula com 35 representantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) na Granja do Torto, em Brasília, neste sábado (17).
Este foi o primeiro encontro de Lula com os dirigentes nacionais do MST em seu terceiro mandato como presidente da República.
Paulo Teixeira destacou que, além da renegociação de dívidas, o governo descobriu um recurso para habitação, que será um segundo passo importante. Há também uma votação na Câmara dos Deputados para acelerar a compra de terras, o que faz parte de uma série de medidas que estão sendo tomadas a curto prazo.
“Tem também uma votação na Câmara de um recurso para acelerar a compra de terras. Então são passos que estão sendo dados no curto prazo, mas a nossa preocupação também é fazer com que nós possamos recuperar o orçamento da pasta para fazer face a todas essas demandas do campo, que não são pequenas”, afirmou Paulo Teixeira.
Uma comissão composta por diferentes pastas do governo foi criada para estudar as demandas apresentadas pelo MST. O prazo esperado para a conclusão dos trabalhos é de até 40 dias, com a previsão de uma nova reunião após esse período.
Uma das demandas mais urgentes apresentadas é o reassentamento de famílias acampadas, que totalizam 65 mil em todo o país.
O MST apresentou a Lula um Plano Agrário necessário para avançar na Reforma Agrária Popular. O plano inclui políticas para assentamento das famílias acampadas, massificação da agroecologia, acesso a crédito para produção de alimentos saudáveis, combate à violência no campo e recuperação ambiental. Os líderes do movimento também defenderam o fortalecimento e a reestruturação de órgãos ligados à reforma agrária, como o INCRA e a CONAB.
Outro tema discutido foi a reconstrução do Rio Grande do Sul após as enchentes que atingiram nove assentamentos da reforma agrária no estado, resultando na perda de mais de dois mil hectares de arroz.
Em nota divulgada após o encontro, a direção nacional do MST avaliou a reunião como “importante e positiva” e destacou o “tom sincero” do diálogo, além da “renovação do compromisso com a Reforma Agrária Popular por meio do permanente diálogo”.
“O Movimento entende o momento político delicado do país, mas ressalta que a saída para este cenário passa pela atuação do governo de modo a assegurar a conquista de direitos pela classe trabalhadora e pelo combate à fome por meio da Reforma Agrária. O Presidente, por sua vez, mostrou-se satisfeito com a visita. Destacou a importância do diálogo com organizações populares como um caminho para reconstrução do país”, afirmou o comunicado.
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