Diário de São Paulo
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INSS barra Banco Master e investiga possível fraude em 254 mil consignados

Instituição foi proibida de firmar novos contratos após volume elevado de reclamações e irregularidades; contratos não trazem juros, Custo Efetivo Total nem clareza mínima exigida por lei.

Presidente do INSS anunciou bloqueio ao Banco Master após identificar contratos sob suspeita - Imagem: Reprodução
Presidente do INSS anunciou bloqueio ao Banco Master após identificar contratos sob suspeita - Imagem: Reprodução

da Redação Publicado em 16/01/2026, às 12h50


O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) proibiu o Banco Master de realizar novos empréstimos consignados para aposentados e pensionistas após identificar indícios graves de irregularidades nos contratos firmados pela instituição. A informação foi confirmada pelo presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, em entrevista ao programa GloboNews Em Ponto, nesta sexta-feira (16).

Segundo Waller, a decisão foi tomada diante do alto volume de reclamações e da quantidade de problemas encontrados na documentação apresentada pelo banco. Ao todo, o Banco Master havia firmado cerca de 254 mil contratos de empréstimos consignados com beneficiários do INSS.

“Pela quantidade de reclamações e pela quantidade de irregularidades, o INSS não renovou [o contrato] e proibiu o Banco Master de fazer novos empréstimos consignados para aposentados e pensionistas”, afirmou.

Apesar do bloqueio para novos contratos, o banco ainda possuía valores a receber referentes à carteira já existente. No entanto, o INSS decidiu suspender qualquer liberação até que todos os contratos fossem verificados.

“Por uma questão de zelo, nós solicitamos as cópias de contratos desses aposentados. O contrato não é claro, não tem taxa de juros, não tem custo efetivo, um contrato muito aquém do necessário”, explicou o presidente do INSS.

Além da ausência de informações obrigatórias, outro ponto que chamou a atenção foi a forma de assinatura dos contratos. De acordo com Waller, muitos documentos apresentavam apenas uma suposta assinatura eletrônica, sem comprovação adequada de que o beneficiário realmente autorizou a operação.

“Eles tentaram fazer um acordo para receber esses valores, e nós impedimos. Falamos: ‘não, você não vai conseguir a liberação desse dinheiro até a confirmação de que essa assinatura é do nosso aposentado e pensionista’”, disse.

O INSS informou que será realizada uma reunião com representantes do Banco Master para verificar a autenticidade das assinaturas e a validade dos contratos. Enquanto isso, nenhum valor será liberado.

O caso ganha ainda mais gravidade porque o Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central após suspeitas relacionadas a operações financeiras. A liquidação significa que a instituição perdeu autorização para funcionar normalmente, e seus ativos e passivos passam a ser administrados por um interventor indicado pelo próprio Banco Central.

A investigação agora busca esclarecer se aposentados e pensionistas foram vítimas de fraudes ou de contratos abusivos, firmados sem as informações mínimas exigidas por lei e sem consentimento válido.


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