A taxa Selic sofreu sua primeira elevação em mais de dois anos no último mês

Gabriela Thier Publicado em 28/10/2024, às 18h09
O cenário econômico brasileiro tem se mostrado desafiador, conforme indicado pela recente atualização do Boletim Focus, divulgada pelo Banco Centralnesta segunda-feira (28). De acordo com o relatório, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a métrica oficial da inflação no Brasil, foi ajustada de 4,5% para 4,55% para este ano. Este ajuste coloca a inflação acima do limite máximo estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Além disso, as expectativas para os anos subsequentes também foram revisadas. Para 2025, a previsão de inflação passou de 3,99% para 4%, enquanto para 2026 e 2027 as estimativas se mantêm em 3,6% e 3,5%, respectivamente. O ano de 2024 apresenta um desafio adicional ao situar-se acima do teto da meta inflacionária definida pelo CMN. Atualmente, a meta estabelecida é de 3%, com uma margem de tolerância que varia entre 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
A partir de 2025, será implementado um sistema de metas contínuas. Com isso, o CMN não precisará mais definir anualmente uma nova meta inflacionária. O centro dessa meta contínua será fixado em 3%, mantendo-se a mesma margem de tolerância.
No mês passado, o país enfrentou uma inflação de 0,44%, impulsionada principalmente pelos custos com energia elétrica residencial. Esta variação ocorreu após o IPCA registrar uma deflação de 0,02% em agosto. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação acumulada nos últimos 12 meses é de 4,42%.
Para controlar a inflação e cumprir as metas estabelecidas, o Banco Central utiliza a taxa Selic como principal ferramenta. Atualmente fixada em 10,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa sofreu sua primeira elevação em mais de dois anos na reunião realizada no mês anterior. Essa decisão foi influenciada por fatores como a valorização do dólar e incertezas inflacionárias.
A última elevação dos juros havia ocorrido em agosto de 2022, quando a taxa subiu para 13,75% ao ano. Após permanecer nesse patamar por um ano, houve sucessivos cortes até maio deste ano. Durante as reuniões de junho e julho, o Copom optou por manter a Selic em 10,5% ao ano. A próxima reunião do Copom está agendada para os dias 5 e 6 de novembro, com expectativas do mercado financeiro apontando para um novo aumento na taxa básica de juros. Estima-se que a Selic encerre o ano de 2024 em torno de 11,75% ao ano.
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