Medidas protecionistas e tensões globais pressionam exportações, que caem até 18,7% no principal mercado

Erika Osti Publicado em 07/04/2026, às 16h31
As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram forte queda no primeiro trimestre e passaram a pressionar o desempenho do comércio exterior do país em 2026. Dados divulgados nesta terça-feira (7) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, mostram que as vendas ao mercado americano recuaram 18,7% entre janeiro e março, refletindo os efeitos das tarifas adicionais impostas recentemente e o ambiente de incerteza nas relações comerciais.
O impacto também aparece no recorte mensal. Em março, as exportações para os EUA somaram US$ 2,89 bilhões, queda de 9,1% na comparação anual. As medidas protecionistas adotadas pelo governo americano, que chegaram a incluir sobretaxas elevadas sobre produtos brasileiros, reduziram a competitividade de setores como aço, alimentos e manufaturados. Mesmo após decisões judiciais que aliviaram parte dessas tarifas, a manutenção de cobranças emergenciais e o cenário de instabilidade continuam a afetar o fluxo de negócios.
A perda de dinamismo na relação bilateral também se reflete na corrente de comércio entre os dois países, que caiu 14,8% no primeiro trimestre. No período, o Brasil acumulou déficit de US$ 1,39 bilhão com os Estados Unidos, resultado da combinação entre queda nas exportações e importações ainda relevantes.
Em paralelo, outros mercados também passaram a sentir os efeitos do cenário internacional mais turbulento. As exportações brasileiras para o Oriente Médio caíram 26% em março, em meio à escalada de tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A instabilidade na região tem afetado rotas comerciais e reduzido o ritmo de compras por parte dos países locais.
Apesar do enfraquecimento em mercados importantes, a balança comercial brasileira permaneceu positiva no mês. Em março, o país registrou superávit de US$ 6,4 bilhões, resultado, no entanto, 17,2% inferior ao observado no mesmo período do ano passado. A redução do saldo reflete, principalmente, o avanço mais acelerado das importações, que cresceram 20,1% e somaram US$ 25,2 bilhões.
As exportações totais alcançaram US$ 31,6 bilhões, sustentadas pelo desempenho da indústria de transformação, que liderou os embarques com US$ 15,8 bilhões. A agropecuária respondeu por US$ 8,3 bilhões, enquanto a indústria extrativa somou US$ 7,4 bilhões, com destaque para commodities como petróleo e minério de ferro.
No recorte regional, a Ásia se manteve como principal destino dos produtos brasileiros, com US$ 14,9 bilhões em compras, seguida pela Europa e pela América do Norte. Diante das dificuldades enfrentadas nos Estados Unidos, exportadores brasileiros têm buscado diversificar mercados e redirecionar parte dos embarques, estratégia que ajuda a sustentar o saldo positivo da balança.
Ainda assim, o cenário global segue desafiador. A combinação entre conflitos geopolíticos e barreiras comerciais deve continuar influenciando o desempenho das exportações brasileiras nos próximos meses, mantendo o comércio exterior sob pressão.
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