Fabricante de brinquedos atribui dificuldades aos juros altos, mudanças no consumo infantil e avanço do mercado digital

Letícia Sales Publicado em 20/05/2026, às 10h12
A tradicional fabricante de brinquedos Estrela anunciou nesta quarta-feira (20) que entrou com um pedido de recuperação judicial junto à Justiça de Minas Gerais. A medida envolve oito empresas do grupo e ocorre em meio a dificuldades financeiras enfrentadas pela companhia nos últimos anos.
O pedido foi protocolado na Comarca de Três Pontas e inclui empresas como a Manufatura de Brinquedos Estrela S.A., a Estrela Distribuidora de Brinquedos e a Editora Estrela Cultural.
Em comunicado ao mercado, a empresa afirmou que a decisão busca reorganizar as dívidas e garantir a continuidade das operações. Segundo a companhia, o cenário econômico atual dificultou o acesso ao crédito e aumentou a pressão financeira sobre o grupo.
Entre os fatores apontados pela fabricante estão os juros elevados, a dificuldade de financiamento e a mudança no comportamento dos consumidores, principalmente das crianças e adolescentes, que passaram a consumir mais conteúdo digital, jogos eletrônicos e entretenimento online.
A recuperação judicial é um instrumento legal utilizado por empresas em crise para renegociar débitos e evitar a falência. Durante o processo, a companhia segue funcionando normalmente enquanto apresenta um plano de reestruturação aos credores.
A Estrela informou que pretende manter suas atividades, preservar empregos e continuar atendendo clientes, fornecedores e parceiros comerciais enquanto o processo avança.
Fundada em 1937, a empresa se tornou uma das marcas mais conhecidas do setor de brinquedos no Brasil e marcou gerações com produtos que fizeram parte da infância de milhões de brasileiros.
Ao longo da trajetória, lançou sucessos como Banco Imobiliário, Autorama, Falcon, Genius, Susi, Comandos em Ação e Super Massa. A companhia também ficou conhecida por fabricar a boneca Barbie no Brasil durante cerca de 30 anos, em parceria com a americana Mattel.
Após o fim do acordo, no fim da década de 1990, a empresa relançou a boneca Susi em uma tentativa de recuperar espaço no mercado nacional.
Nos últimos anos, porém, a fabricante passou a enfrentar dificuldades em meio às transformações do setor de brinquedos, cada vez mais impactado pelo crescimento das plataformas digitais e pela mudança nos hábitos de consumo infantil.
A empresa também trava uma disputa judicial antiga com a multinacional americana Hasbro, que cobra royalties relacionados à comercialização de alguns brinquedos no país, incluindo o tradicional Banco Imobiliário.
Atualmente, a Estrela mantém operações industriais em São Paulo, Minas Gerais e Sergipe, além de um escritório central na capital paulista.
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