IBGE aponta aumento sazonal da desocupação após fim das contratações de fim de ano; rendimento médio segue em patamar recorde

Letícia Sales Publicado em 28/05/2026, às 11h42
A taxa de desemprego no Brasil chegou a 5,8% no trimestre encerrado em abril de 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice representa alta de 0,4 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, encerrado em janeiro, quando a taxa era de 5,4%.
Apesar da elevação recente, o cenário ainda mostra melhora na comparação com o mesmo período do ano passado. Entre fevereiro e abril de 2025, o desemprego estava em 6,6%, número superior ao atual.
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), cerca de 6,3 milhões de brasileiros procuraram trabalho no período e não conseguiram emprego. O contingente representa aumento de 471 mil pessoas em relação ao trimestre anterior.
A população ocupada ficou em 102,3 milhões de trabalhadores. O número apresentou leve queda de 0,3% frente ao trimestre encerrado em janeiro, mas segue acima do registrado no mesmo período do ano passado, quando havia cerca de 1 milhão de trabalhadores a menos.
Segundo o IBGE, o movimento é considerado sazonal e está ligado principalmente ao encerramento de vagas temporárias abertas no comércio e no setor de serviços durante o fim de 2025.
Para a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do instituto, Adriana Beringuy, a redução recente no nível de ocupação não altera o cenário positivo observado nos últimos anos.
“Embora registrando perda de ocupação na comparação trimestral, o mercado de trabalho segue com elevado nível da ocupação quando comparado com anos anteriores da série histórica”, afirmou.
Ela também destacou que a manutenção da renda e do emprego demonstra resiliência do mercado de trabalho mesmo após o período de contratações temporárias.
“Isso indica que mesmo diante do recuo sazonal, a geração de trabalho e renda se mantém sustentada”, completou.
O rendimento médio real habitual dos trabalhadores permaneceu em R$ 3.732, mantendo o maior patamar já registrado pela série histórica da pesquisa.
Já a taxa de informalidade ficou em 37,2% da população ocupada, o equivalente a 38,1 milhões de trabalhadores informais. O índice apresentou leve queda tanto na comparação trimestral quanto no acumulado de um ano.
A pesquisa também mostrou estabilidade na taxa de subutilização da força de trabalho, que ficou em 13,8%. O indicador reúne pessoas desempregadas, subocupadas ou que gostariam de trabalhar, mas não conseguiram procurar emprego. Atualmente, esse grupo soma 15,7 milhões de brasileiros.
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