Projeção do mercado sobe pela terceira semana seguida, enquanto estimativa para a taxa Selic permanece em 12,5%

Erika Osti Publicado em 30/03/2026, às 14h09
A nova edição do Boletim Focus, divulgada nesta segunda-feira (30) pelo Banco Central, mostra um cenário de pressão moderada sobre os preços e crescimento econômico ainda contido. Analistas do mercado financeiro elevaram pela terceira semana consecutiva a previsão da inflação oficial para 2026, ao mesmo tempo em que mantiveram estável a expectativa para a taxa básica de juros. O levantamento também trouxe leve revisão para cima no desempenho da economia, além de estabilidade nas projeções para o câmbio.
A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, passou de 4,17% para 4,31%. Apesar da alta, o índice segue dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Na prática, isso significa que a inflação projetada ainda permanece abaixo do teto de 4,5%.
O movimento de revisão reflete um ambiente de incertezas externas, especialmente ligado ao cenário geopolítico no Oriente Médio, que tem impactado preços de commodities e expectativas globais. Ainda assim, o comportamento recente da inflação mostra algum alívio. Em fevereiro, o índice subiu 0,7%, puxado principalmente por transportes e educação, mas o acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.
Para os próximos anos, o mercado também ajustou levemente suas projeções. A inflação esperada para 2027 subiu para 3,84%, enquanto as estimativas para 2028 e 2029 ficaram em 3,57% e 3,5%, respectivamente.
No campo dos juros, a expectativa é de estabilidade. A projeção para a taxa Selic ao fim de 2026 foi mantida em 12,5% ao ano. Para os anos seguintes, o mercado aposta em trajetória de queda gradual, com a taxa chegando a 10,5% em 2027, 10% em 2028 e 9,75% em 2029.
Atualmente, a Selic está em 14,75% ao ano, após uma redução recente definida pelo Comitê de Política Monetária. O corte foi mais moderado do que o esperado anteriormente, refletindo cautela diante das incertezas externas. O Banco Central sinaliza que pode rever o ritmo de queda dos juros caso o cenário inflacionário volte a se deteriorar.
A taxa básica é o principal instrumento de controle da inflação. Juros mais altos tendem a conter o consumo e o crédito, reduzindo a pressão sobre os preços. Por outro lado, também podem frear o crescimento econômico.
Em relação à atividade, o Boletim Focus trouxe uma leve melhora nas expectativas. A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto para 2026 subiu de 1,84% para 1,85%. Apesar da revisão positiva, o ritmo ainda é considerado moderado. Para 2027, a estimativa foi mantida em 1,8%, enquanto para 2028 e 2029 a expectativa é de expansão de 2% ao ano.
O desempenho recente da economia ajuda a explicar esse cenário. Em 2025, o país registrou crescimento de 2,3%, com avanço em todos os setores e destaque para a agropecuária, segundo dados oficiais.
No câmbio, não houve mudanças nas projeções. O mercado mantém a expectativa de que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,40. Para 2027, a previsão é de R$ 5,45, com estabilidade também nos anos seguintes.
O Boletim Focus reúne semanalmente as estimativas de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos e serve como termômetro das expectativas do mercado em relação ao desempenho da economia brasileira.
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