Especialista ressalta que a decisão, a longo prazo, pode influenciar na redução da empregabilidade

Marina Roveda Publicado em 05/12/2023, às 08h27
A aprovação da tributação de fundos exclusivos e offshores pelo Senado, apesar de ser considerada uma vitória política para o governo, pode resultar na retirada de investimentos do Brasil, alertou o tributarista Bruno Romano. Embora a medida deva aumentar a arrecadação, Romano destaca que muitos investidores podem optar por retirar seus recursos do país, transferindo-os para outras nações.
Durante uma entrevista à Jovem Pan, ele enfatizou que, embora alguns contribuintes permaneçam no Brasil e paguem os tributos, a saída de outros pode ter um efeito negativo, resultando em uma arrecadação abaixo das expectativas do governo, que estimava entre R$ 20 bilhões e R$ 40 bilhões.
“Apesar de haver um aumento de arrecadação por parte de alguns contribuintes que permanecerão no Brasil e vão acabar recolhendo esses tributos, muitos outros vão mudar sua residência fiscal, vão passar a morar em outros países e por conta disso o efeito pode acabar sendo negativo com relação a isso e a arrecadação não será de R$ 20 ou R$ 40 bilhões que o governo está esperando”, prevê o especialista.
Segundo Romano, a aprovação da tributação representa um alinhamento entre governo e Congresso em termos políticos, pois atende a um discurso de justiça tributária. No entanto, ele considera a medida um retrocesso econômico, sugerindo que o governo deveria focar em reduzir os gastos em vez de buscar mais arrecadação.
O especialista ressalta que, a longo prazo, a possível saída de investidores pode ter impactos negativos na economia, incluindo a redução da empregabilidade, aumento do desemprego e o potencial aumento da inflação. Esses efeitos, por sua vez, podem exigir ajustes na taxa de juros, resultando em repercussões prejudiciais para a economia.
“Há possibilidade desses contribuintes resolverem se mudar do Brasil, o que faz com que haja um efetivo esvaziamento desse investimento. Esvaziando o investimento no país, você tem diminuição de empregabilidade, aumento do índice de desemprego, corre o risco de que haja um aumento do índice de inflação, e com o aumento do índice de inflação você é obrigado a aumentar a taxa de juros. O efeito rebote pode ser prejudicial”, alerta.
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