Cordas amarelas de isolamento nos canteiros dos jardins e uma série de painéis luminosos ao longo do caminho deixam claro para quem entra no Parque

Redação Publicado em 30/03/2022, às 00h00 - Atualizado às 08h03
Cordas amarelas de isolamento nos canteiros dos jardins e uma série de painéis luminosos ao longo do caminho deixam claro para quem entra no Parque Ibirapuera, na Zona Sul de São Paulo, que o local está passando por mudanças.
Desde que o parque foi concedido à iniciativa privada, algumas melhorias são elogiadas pelos frequentadores: como aumento da segurança e da iluminação à noite, além da limpeza dos banheiros e maior distribuição de lixeiras.
Já outras, como a cobrança de valor único de R$ 13 no estacionamento (aos finais de semana), e os altos preços nos quiosques de comidas e bebidas são alvo de críticas de quem diz que o acesso ao parque está menos democrático e mais elitista.
São várias as novas opções de alimentação, mas a maioria é composta por marcas caras. Um sorvete, por exemplo, pode custar de R$ 12 a R$ 30 em um ponto de venda da Rochinha ou da Bacio di Latte.

Área com corda de isolamento no Parque Ibirapuera para recuperação de jardim. — Foto: Marina Pinhoni/g1
A empresa Urbia assumiu a gestão do Ibirapuera em outubro de 2020, o que garante o direito de explorar comercialmente por 35 anos setores como estacionamento, restaurantes e aluguel de bicicletas. Nos diversos painéis de led que trazem informações sobre o parque, há também a exibição de propagandas.
Entre os investimentos previstos no contrato de concessão, estão a melhoria de acessibilidade e a recuperação de prédios. A maioria das mudanças, no entanto, ainda dependia da liberação dos órgãos de proteção ao patrimônio. Com a autorização concedida pelo Iphan neste mês, a concessionária poderá iniciar o Plano de Intervenção que prevê reformas maiores (leia mais abaixo).

Pistas do Parque Ibirapuera com sinalização e iluminação à noite. — Foto: Marina Pinhoni/g1
Mas quem não frequentava o parque há algum tempo, já pôde notar diferença em diversos serviços. É o caso de Vivian dos Santos, que veio de Belém (PA) com a família para visitar o local depois de alguns anos sem voltar a São Paulo.
“Mudou muito. Achei que está melhor. Antes não tinha sinalização na ciclovia, e à noite ficava tudo escuro. O ponto negativo é a alimentação muito cara. A gente trouxe o lanche de casa, porque água de coco a R$ 9 não dá”, disse.
A insatisfação dos clientes com o novo preço nos tradicionais carrinhos de coco é recorrente, segundo vendedores ouvidos em condição de anonimato pela reportagem. Segundo eles, a concessionária passou a tabelar o item durante a pandemia.
“O pessoal reclama bastante do preço. Antes, a cooperativa também definia o preço, mas a gente tinha liberdade pra fazer valor diferente pro cliente. Dependendo do tamanho da fruta, eu cobrava de R$ 5 a R$ 7. Agora o parque controla e é tudo R$ 9”, afirmou um comerciante.
Após a concessão, os carrinhos também só vendem bebidas da Ambev.
Em nota, a Urbia negou que interfira no valor cobrado pelos ambulantes. “Os preços de vendas são estabelecidos pelas duas cooperativas, em votação entre os próprios vendedores, e sempre foi tabelado, antes mesmo da concessão. Nada foi imposto pela Urbia. Sobre o reajuste, o aumento ocorreu devido à sazonalidade da fruta, pressão inflacionária e custos operacionais internos do produto, principalmente ligados à adequada gestão dos resíduos”, disse.

Montagem de fotos com preços tabelados da água de coco e bebidas da Ambev no Parque Ibirapuera. — Foto: Marina Pinhoni/g1
A concessionária afirmou ainda que trabalha para formalizar a atuação dos vendedores ambulantes por meio de microfranquias.
A oferta de serviços de alimentação variados “em distintas categorias econômicas, incluindo alimentos naturais e frescos” está prevista no plano de atendimento ao usuário do parque.
Questionada sobre a falta de opções mais baratas apontada por frequentadores, a Urbia afirmou que “a empresa tem firmado parceria com diferentes empresas e, hoje, é possível encontrar refeições a partir de R$10.”
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G1
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