Previsões apontam para uma seca tão intensa quanto em 2015/2016

Marina Roveda Publicado em 30/09/2023, às 14h25
A seca severa que assola a Amazônia neste ano tem potencial para estabelecer recordes e persistir até janeiro, de acordo com as previsões do Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), vinculado ao governo federal. A situação é crítica em diversos rios essenciais para a região, com níveis de água abaixo da média histórica.
Nesse cenário, é esperado que o número de municípios afetados pela estiagem aumente até o final do ano, impactando a navegação fluvial, o acesso à água, o aumento das queimadas e causando perdas na produção agrícola familiar. No Amazonas, por exemplo, estima-se que até 500 mil pessoas possam ser afetadas em outubro. Manaus e Rio Branco já declararam estado de emergência.
Atualmente, estamos na estação seca na região Norte, quando é comum uma redução na vazão dos rios. No entanto, de acordo com Ana Paula Cunha, pesquisadora do Cemaden na área de secas e agrometeorologia, a estiagem deste ano pode ser tão severa quanto a registrada em 2015 e 2016, que causaram sérios problemas na região, ou até mesmo superá-la.
"A perspectiva é que este ano a seca seja tão intensa quanto em 2015/2016, ou até mesmo que estabeleça um novo recorde", afirma a pesquisadora.
As causas dessa seca estão relacionadas à atuação do El Niño, que é o aquecimento anormal do Pacífico equatorial, da mesma forma que ocorreu há oito anos. Além disso, o El Niño deste ano está mais forte e seus efeitos são amplificados pelo aquecimento do Atlântico Tropical Norte.
Embora os reflexos desses dois fenômenos ocorram em regiões diferentes da Amazônia, o aquecimento das águas dos oceanos desencadeia um mecanismo de ação semelhante sobre a floresta: a redução das chuvas na região, conforme o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Como resultado, o início do período de chuvas, que normalmente começa em novembro, deve atrasar.
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