A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo investiga o desaparecimento de quase uma tonelada de maconha que sumiu de dentro de uma delegacia da capital

Redação Publicado em 02/10/2018, às 00h00 - Atualizado às 14h22
A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo investiga o desaparecimento de quase uma tonelada de maconha que sumiu de dentro de uma delegacia da capital paulista. Uma das suspeitas é que a droga tenha sido levada aos poucos da delegacia.
O mais antigo distrito policial da cidade tem história, mas nunca antes tinha visto quase uma tonelada de maconha desaparecer de suas salas. Foi a escrivã chefe Ivanete Franca de Souza que comunicou o sumiço da droga.
“Ela comunicou à autoridade policial que assumiu a delegacia e registrou a ocorrência e estamos aguardando a apuração da Corregedoria-Geral da Polícia Civil”, diz João Vitor Abreu, advogado de Ivanete.
Os 900 kg de maconha que sumiram ficavam no subsolo da delegacia, uma sala que tem três saídas: uma, é pelos fundos, sendo preciso passar por um depósito de outro departamento da Polícia Civil; pela lateral, por um corredor que dá acesso à sala; e a terceira, é a saída principal, onde fica o plantão polícial.
A delegacia não tem cofre e fica fechada à noite e nos fins de semana, com apenas dois policiais de plantão. Mas, segundo os especialistas em segurança pública, o que deixa esse cenário vulnerável é a custódia, o armazenamento de um produto tão visado pelo crime por tanto tempo em uma delegacia. Os especialistas dizem que a droga não deveria estar aqui desde a apreensão, em outubro de 2017.
No relatório do flagrante da apreensão, enviado à justiça, a autoridade solicitou a autorização para a incineração da droga. O pedido foi feito pelo delegado adjunto, há quase um ano.
Todos os policiais que trabalharam na delegacia nos últimos 50 dias estão sob investigação. O Tribunal de Justiça afirmou que a droga não foi incinerada porque isso só poderia ser feito depois do trânsito em julgado do processo – o que ainda não ocorreu.

Em documento, delegado pediu à juiz para incinerar droga apreendida — Foto: TV Globo/reprodução
“A droga ficar armazenada nesses estabelecimentos é tão somente durante o período necessário pra você fazer a perícia daquela droga, comprovar que realmente é uma droga”, disse o coordenador de Projetos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, David Marques.
Há 19 anos, 340 quilos de cocaína foram levados do Instituto Médico Legal de Campinas, no interior do estado. Seis policiais foram responsabilizados. O delegado de investigações sobre entorpecentes da época chegou a ser preso, mas foi inocentado. A droga não foi recuperada e nunca se descobriu como foi levada.
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