Moradores do bairro Lami tiveram que evacuar suas casas, lago pode chegar a 5,5 metros de altura até a noite desta terça-feira

Sabrina Oliveira Publicado em 14/05/2024, às 13h34
Porto Alegre vive dias de apreensão devido à cheia do Lago Guaíba. De acordo com o Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o nível do lago deve atingir entre 5,3 e 5,5 metros até a noite desta terça-feira (14). Essa elevação acentuada se dá pelas fortes chuvas e pelo aumento dos volumes dos rios que deságuam no Guaíba.
Desde o último fim de semana, o Guaíba vem apresentando uma subida constante em seu nível, especialmente devido ao transbordamento das bacias hidrográficas dos rios Taquari, Caí, dos Sinos e Gravataí. "Tem muita água nessas regiões. Houve uma elevação importante no final de semana, o Taquari atingiu seu pico e leva dois a dois dias e meio para essa água chegar ao Guaíba", explica Fernando Dornelles, professor do IPH.
A situação se mostrou crítica no bairro Lami, localizado na Região Sul de Porto Alegre, onde muitos moradores tiveram que deixar suas casas devido ao avanço das águas. No entanto, Dornelles esclarece que a tendência é que outras áreas da cidade não sofram tanto com a elevação do Guaíba. "O que aconteceu na Zona Sul é bastante influenciado pelo vento, que tem uma influência importante no Guaíba. Ele causa grande elevação junto à margem, mas com a previsão de enfraquecimento do vento, podemos ter uma redução do nível na Zona Sul sem problemas", comenta o pesquisador.
Até esta terça-feira, foram confirmadas 148 mortes, 124 desaparecimentos e 806 feridos, que se deram por causa da série de temporais e enchentes que alastram o estado desde o final de abril. A Defesa Civil está em alerta, monitorando a situação e fornecendo suporte às comunidades afetadas.
Apesar da projeção de alta do nível do Guaíba, a expectativa é que a situação comece a melhorar gradualmente. O funcionamento das estações de bombeamento de água é crucial para essa recuperação. "Com as casas de bombas religadas e em funcionamento, a tendência é que a água sobre as regiões alagadas reduza", afirma Dornelles.
No entanto, a redução do nível do Guaíba deve ser lenta e gradual, visto que as bacias hidrográficas ainda estão cheias. Além disso, a previsão de novas chuvas para o final de semana pode influenciar negativamente na velocidade dessa redução.
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