É o que aponta uma pesquisa publicada na renomada revista "Nature"

por Marina Milani
Publicado em 30/03/2024, às 09h50
Recentemente, uma pesquisa publicada na renomada revista "Nature" trouxe à luz uma descoberta intrigante: enquanto a rotação da Terra, em geral, está em ascensão, o derretimento do gelo na Groenlândia e na Antártida está desacelerando esse movimento, o que terá repercussões importantes na forma como medimos o tempo.
O geofísico Duncan Agnew, do Scripps Institution of Oceanography, nos EUA, liderou o estudo, revelando que a quantidade de gelo derretido foi suficiente para modificar o nível do mar, impactando o formato do nosso planeta e influenciando a velocidade de rotação.
As implicações desse fenômeno estão relacionadas à maneira como contabilizamos o tempo atualmente. Embora o horário oficial internacional seja determinado por relógios atômicos ultraprecisos, ainda levamos em consideração a rotação terrestre por razões históricas e culturais.
Devido às variações na velocidade de rotação da Terra, a duração de um dia raramente corresponde exatamente a 24 horas, o que ocasionalmente resulta em uma discrepância entre o horário dos relógios e o tempo real da Terra. Para ajustar essa diferença, recorremos ao chamado "segundo intercalar", que consiste na adição de um segundo ao horário oficial padrão, o UTC (Tempo Universal Coordenado).
Nos últimos anos, a aceleração da rotação terrestre tem sido influenciada por correntes no núcleo líquido do planeta, levando a uma maior rapidez na rotação da crosta externa. Isso fez com que os segundos intercalares adicionais se tornassem menos frequentes, e havia a previsão de que um segundo intercalar precisaria ser removido do UTC, algo inédito.
No entanto, a pesquisa de Agnew sugere que essa alteração pode ocorrer mais tarde do que o esperado devido às mudanças climáticas. Desde a década de 1990, os satélites que mapeiam a gravidade da Terra indicam que o planeta se tornou menos esférico e mais achatado devido ao derretimento do gelo polar, o que afeta a rotação da Terra.
Agnew concluiu que, sem o derretimento do gelo, um segundo intercalar negativo seria necessário três anos antes do previsto atualmente.
Os segundos intercalares representam um desafio significativo para a tecnologia, já que podem resultar em falhas graves nos sistemas de computação. Um segundo intercalar negativo, algo sem precedentes, poderia ser ainda mais problemático. A incerteza sobre quando será necessário adicioná-lo ou removê-lo persiste, uma vez que os cálculos dependem da aceleração da Terra, e a atividade no núcleo interno do planeta é imprevisível.
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