
Lele Abdala Publicado em 25/08/2025, às 09h22
Quantas vezes você respondeu “tá tudo certo” quando, na verdade, estava implodindo por dentro?
Esse hábito, tão comum, é um dos maiores venenos emocionais da vida adulta. A mentira mais contada no mundo não está nos jornais ou nos discursos políticos, mas nas pequenas respostas diárias que damos para esconder o que sentimos.
Vivemos numa cultura que idolatra a imagem do forte. Desde cedo aprendemos que chorar é fraqueza, que pedir ajuda é sinal de incompetência, que mostrar vulnerabilidade é abrir espaço para julgamento. O resultado? Milhões de pessoas vivendo sob a máscara da normalidade, enquanto carregam dores que as corroem em silêncio.
Carl Jung dizia: “A pessoa saudável não é aquela que não tem problemas, mas aquela que os enfrenta.”
Fingir que está tudo bem não resolve nada. Ao contrário: cria uma rachadura entre quem você é e quem você mostra ser. Essa rachadura cresce, e com o tempo vira depressão, ansiedade, doenças físicas. O corpo cobra o preço do silêncio da alma.
Osho provocava: “As pessoas têm medo de se abrir porque a abertura traz vulnerabilidade. Mas lembre-se: somente o coração aberto pode ser curado.”
E é justamente isso que mais evitamos: abrir o coração. Fingimos força, quando o verdadeiro ato de coragem seria dizer: “Hoje eu não estou bem.”
A polêmica é essa: o mundo não precisa de mais gente forte fingindo. Precisa de gente real.
Porque, quando você finge estar bem, não apenas se trai, mas também alimenta uma cultura que sufoca os outros. Seu silêncio mantém o ciclo do fingimento coletivo.
Gary Douglas, do Access Consciousness, ensina uma pergunta transformadora:
“O que aconteceria se eu parasse de me julgar e apenas me permitisse ser?”
Essa simples pergunta abre espaço para que você viva sem precisar esconder suas dores.
Afirmação de Louise Hay:
“É seguro para mim mostrar quem eu sou de verdade. Eu me aceito plenamente, em todas as fases.”
A verdade é que todos carregamos dores. A diferença está em quem tem coragem de encará-las. Fingir que está tudo bem pode até preservar sua imagem, mas destrói sua alma. Mostrar-se real pode afastar alguns, mas aproxima os que realmente importam.
Agora eu te pergunto: Quantas vezes você respondeu “tá tudo certo” nos últimos dias? E quantas dessas vezes foi verdade?
Responder isso com honestidade pode ser desconfortável. Mas também pode ser o início da sua liberdade.
Nos vemos na próxima coluna.
Com verdade e coragem,
Lele Abdala
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