Diário de São Paulo
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Ninguém quer morrer de trabalhar

Reflexão sobre a escala de trabalho no Brasil, qualidade de vida e a necessidade urgente de repensar o tempo dedicado à vida além do trabalho

Debate sobre jornada de trabalho ganha força no Brasil e reacende discussões sobre qualidade de vida e direitos dos trabalhadores - Imagem: Rachel Sheherazade
Debate sobre jornada de trabalho ganha força no Brasil e reacende discussões sobre qualidade de vida e direitos dos trabalhadores - Imagem: Rachel Sheherazade

Rachel Sheherazade Publicado em 08/04/2026, às 16h56


A luta dos trabalhadores brasileiros pelo fim da jornada de trabalho desumana de seis dias por um está ganhando destaque, com vozes como a da ministra da Cultura, Margareth Menezes, ecoando pensamentos de Pepe Mujica sobre a importância de viver além do trabalho.

A realidade do trabalhador no Brasil é marcada por longas jornadas em troca de remunerações mínimas, resultando em uma vida sem qualidade, onde não há tempo para lazer, cultura ou convivência familiar.

A crítica se volta para a desigualdade econômica, onde empresas registram lucros recordes enquanto a população enfrenta dificuldades, ressaltando a necessidade urgente de uma mudança que permita aos trabalhadores desfrutar de uma vida digna e plena.

Um dos assuntos mais relevantes do momento na política nacional é a luta dos trabalhadores pelo fim da "escala escravagista” seis por um”.

Sobre esse tema, esta semana, eu me deparei com um post da ministra da cultura Margareth Menezes, que reproduzia alguns pensamentos de Pepe Mujica.

Apesar de ter alçado o posto mais alto do poder executivo, o presidente uruguaio era, antes de tudo, um homem simples e sábio, que conhecia o real valor da vida.

Na postagem de margareth, ela dá voz ao saudoso mujica, relembrando frases marcantes dele como: "a vida não é só trabalhar” e “em que você gasta o milagre de ter nascido?”

Assim como a ministra margareth menezes e milhões de políticos, pensadores, sociólogos e trabalhadores, pepe mujica também era um defensor ferrenho da redução da escala de trabalho, sem diminuição dos salários.

Essa, porém, não é uma bandeira ideológica. é uma questão humanitária, urgente, que vai além de governos, partidos e fronteiras nacionais.

No Brasil, a escala dos trabalhadores é particularmente desumana: seis dias de labuta para um único dia de folga.

É o famoso "viver para trabalhar".

O empregado no brasil trabalha o máximo em troca do minimo de remuneração.

O brasileiro trabalha para mal pagar contas e sobreviver mais um dia: sem descanso, sem prazer, sem tempo em familia, sem qualidade de vida, sem ter nem por que.

Em que nós temos gastado o nosso pouco tempo de vida se mal temos tempo para viver?

Não há tempo para os amigos, para o amor, para a contemplação, a viagem, a leitura, a cultura….

O pensador alemão Friedrich Nietzsche dizia: "temos a arte para não morrer da verdade".

Mas, nesses tempos de servidão moderna, o trabalhador escravizado não tem tempo para a arte, restando, apenas, a verdade dura, nua e crua, que esmaga os sonhos, que minimiza a vida e corrói a esperança.

Eu não quero morrer de trabalhar.

Eu quero tempo pra viver o pouco de vida que me resta.

eu quero o direito à cultura, à diversão, à musica, ao sossego, à companhia dos meus filhos, ao aconchego da familia e dos amigos… quero ter o direito de ler os meus autores favoritos… livros que se acumulam na minha cabeceira porque não me resta tempo.

dizem que o trabalhador precisa trabalhar mais para produzir mais para gerar mais riqueza.

mas, eles nos enganam: não há dinheiro de menos. há dinheiro demais!

é tanto dinheiro que as empresas não param de produzir.

é tanta produção que está faltando lugar para descartar o excesso de tudo aquilo que não é comprado.

os donos do capital só falam em crise, mas suas empresas batem recordes consecutivos de lucro.

os campos geram tanto alimento que para não terem prejuízos e venderem a baixos custos, muitos produtores descartam, no lixo, o fruto da terra, o leite e a carne dos animais…

eles não dizem, mas há dinheiro suficiente para matar toda a fome do mundo. há dinheiro para garantir o futuro de várias gerações.

mas, a ganância dessas pessoas não tem medida e elas insistem em acumular ainda mais riquezas.

precisamos de tempo para viver!

por que, afinal de contas, não é o trabalho escravizante, mas a vida pulsante que realmente dignifica o homem.


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