
por Zora Viana
Publicado em 12/09/2025, às 09h23
Nas últimas décadas, o mundo empresarial passou por transformações profundas, mas o ritmo da mudança que estamos vivendo agora é exponencial. Estive recentemente na Suíça, em uma missão empresarial que me levou a conhecer por dentro marcas centenárias como a Victorinox, fabricante do icônico canivete suíço, e a Bucherer, referência global em luxo e relojoaria. Apesar de pertencerem a segmentos tão tradicionais, ambas me ensinaram algo que toda empresa – seja uma startup, uma escola de negócios ou uma multinacional – precisa compreender para prosperar até 2030: o futuro não pertence a quem apenas preserva, mas a quem sabe reinventar continuamente suas competências.
A primeira competência essencial é a gestão da tradição com inovação. A Victorinox construiu sua marca em torno de um produto que, em tese, já estava pronto. Afinal, quantas vezes é possível reinventar um canivete? Mas eles fizeram. A cada geração, novas funcionalidades, novas versões e novas narrativas foram criadas. Isso não é só inovação de produto, mas de propósito. A Bucherer, por sua vez, mostra como o luxo se transforma em experiência – eles não vendem apenas joias e relógios, vendem pertencimento, história e significado.
A segunda competência é a visão de longo prazo. Empresas que sobreviveram mais de 100 anos não estão presas às demandas do trimestre. Elas constroem modelos que resistem ao tempo, com estrutura sólida, educação contínua de seus clientes e coerência com seus valores. É isso que falta em muitos negócios que crescem rápido demais e queimam em poucos anos: visão.
A terceira competência é a excelência humana em um mundo tecnológico. Estamos na era da inteligência artificial, mas nunca a presença humana foi tão necessária. Marcas centenárias entendem que tecnologia serve ao humano, não o contrário. Isso exige líderes capazes de cultivar clareza, cuidado e conexão. A máquina pode processar dados em segundos, mas é o ser humano que dá sentido, cria vínculos e desperta confiança.
Por fim, a quarta competência é a capacidade de institucionalizar o saber. Na prática, significa transformar conhecimento em método, experiência em modelo, prática em legado. É aqui que se ganha escala sem perder a alma. E é também o que diferencia empresas que ficam reféns da imagem de um fundador daquelas que se tornam instituições que sobrevivem a gerações.
Até 2030, empresas que não desenvolverem essas quatro competências estarão em desvantagem. O futuro não será dos maiores ou dos mais rápidos, mas daqueles que conseguirem equilibrar tradição e inovação, construir visão de longo prazo, cultivar excelência humana em um mundo automatizado e institucionalizar o saber para além das pessoas.
Na Suíça, aprendi que o tempo pode ser aliado ou inimigo. O que define de que lado estaremos é a clareza com que escolhemos o que permanece e a coragem com que inovamos no que precisa mudar.
E você, sua empresa já está se preparando para 2030?
Vamos agir?


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