
por Ap. Queila C Martines
Publicado em 15/04/2026, às 08h00
A agenda já está cheia antes das oito da manhã. O celular vibra. Tem reunião, tem filho para levar, tem a casa, tem o trabalho. E você, no meio de tudo, funcionando no modo automático: eficiente, incansável.
Mas eu quero te fazer uma pergunta que talvez você nunca tenha se feito com honestidade: se você parasse, de verdade parasse, o que você sentiria? Para muitas mulheres, a resposta é simples e assustadora: eu não sei. E isso apavora. Então, sem perceber, o calendário se enche de novo. Porque, enquanto estão ocupadas, não precisam responder.
A ciência comportamental chama isso de evitação experiencial, usar a ação constante como forma de não entrar em contato com o que está sentindo. Enquanto estou correndo, não preciso olhar para o casamento que esfriou. Existe uma diferença profunda entre a mulher que serve porque transborda, e a que serve porque tem medo do que encontra quando para.
O silêncio interior é, ao mesmo tempo, o lugar mais temido e o mais necessário da alma feminina. É lá que estão as perguntas nunca respondidas, a dor nunca chorada, a raiva engolida que virou ansiedade. Mas é também lá que Deus fala. Elias entrou em colapso debaixo de uma árvore. Deus não pregou. Tocou no seu ombro e disse: levanta e come. O silêncio não era ausência de Deus. Era o espaço que Ele precisava para ser ouvido.
Escolha um momento, pode ser dez minutos, e sente com você mesma, sem fazer nada. Só você, o silêncio e a pergunta honesta: do que eu estou fugindo?
A mulher inteira não é a que nunca para. É a que aprendeu que parar também é sagrado.
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