
por Agenor Duque
Publicado em 23/06/2023, às 09h21
A sociedade conhece bem os efeitos terríveis das drogas e o sofrimento que essas substâncias causam ao usuário e sua família, e os prejuízos aos cofres públicos. Usuários solitários e os que têm apoio familiar vivem um misto de alegria e decepção, alívio e frustração a cada tentativa malsucedida de vencer o vício. Mas essa luta acaba de ganhar aliados: vacinas que ensinam o sistema imunológico a neutralizar a cocaína, o crack e fentanil no organismo.
A dAd5GNE, desenvolvida pela Universidade Cornell, é à base do adenovírus Ad5, que deve ser injetada 3 vezes ao longo de dois meses, e que objetiva ensinar o organismo a produzir anticorpos contra a molécula GNE, e quando a pessoa usar cocaína ou crack, os anticorpos se conectem às moléculas da droga, tornando o conjunto grande demais para atravessar a barreira hematoencefálica, evitando que a droga produza efeito, e não penetre no cérebro, evitando “dar barato”. Depois dos testes em ratos e macacos, a entidade iniciou os testes em 150 humanos, que tem previsão de conclusão até junho de 2024.
O Brasil brilha no cenário científico nesta temática, com a vacina desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais. Semelhantemente à americana, está pronta para testes em humanos, dependendo apenas da aprovação da ANVISA. A falta de recursos é um grande desafio para a continuidade da pesquisa; além de esbarrar na questão de segurança jurídica, já que a molécula GNE, elemento ativo da vacina, utiliza cocaína como matéria-prima e, no país, drogas apreendidas são incineradas, não estando previsto na legislação que parte dela seja destinada à pesquisa visando ao combate do vício.
A Universidade Houston também destinou esforços na produção de uma vacina contra o fentanil, já testada em ratos e que está pronta para testes em humanos, previstos para o ano que vem.
Teoricamente, pode-se produzir vacinas contra praticamente qualquer tipo de droga, exceto a contra o álcool, pois a vacina atacaria o funcionamento dos sistemas digestivo e metabólico. Em geral, todas as vacinas padecem do mesmo problema, inclusive as da Cornell e da UFMG: precisam ser aplicadas com frequência. Quando se pega uma infecção ou é vacinado, o organismo produz anticorpos que combatem o invasor e, depois de algum tempo, o processo deixa de ocorrer, o que não acontece com relação ao bloqueio das moléculas de droga, já que chegam ao cérebro em questão de segundos, faltando tempo hábil para se fazer anticorpos em quantidade suficiente, carecendo de serem mantidos em níveis elevados no sangue, com doses periódicas da vacina antidroga.
A novidade é o imunizante inalável desenvolvido pela Universidade Duke, que promete neutralizar a cocaína em pó já nas vias aéreas, antes que caia na corrente sanguínea. Apesar de muito promissora, ainda não há previsão para início dos testes.
Fato é que o uso de drogas tem causa multifatorial, abrangendo questões biológicas, psicológicas e sociais, (e, como cristãos, não podemos prescindir de causas envolvendo também a área espiritual), passando por traumas sofridos e predisposição genética a compulsões. Sim, a vacina tem todo potencial para ser eficiente no combate às drogas e é promissora, mas se o paciente estiver desmotivado não tem eficácia. É necessário apoio, ajuda da família, da sociedade, e de Deus, que pode agir sobrenaturalmente, mas que também se utiliza sesses outros meios para dar suporte e proporcionar ao dependente a libertação definitiva do vício.
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