
por Agenor Duque
Publicado em 25/08/2023, às 05h43
Todos sabemos que o uso da maconha produz efeitos visíveis no corpo, mas a questão é muito mais abrangente, pois atinge também em âmbito mental.
Originária da Ásia central e do sul, a maconha tem como princípio ativo o THC, um composto psicoativo da cannabis e um dos mais de 80 tipos de canabinoides contidos na planta. É “[...] uma mistura verde ou cinza de flores e folhas secas partidas da planta de cânhamo”, cujo uso serve para, pelo menos, três finalidades: recreativo (como droga), medicinal e industrial (como matéria-prima).
Se comparada a drogas sintéticas, como cocaína e LSD, a maconha tem efeitos bem mais leves. Entretanto, com o consumo, que pode ser fumada, vaporizada ou ingerida, ocorre uma interação entre os canabinoides e os vários receptores do cérebro e do corpo, gerando sintomas ou sinais distintos nos usuários. Os receptores de proteína das membranas de algumas células captam o THC e tal interação provoca no corpo do usuário euforia, relaxamento, mudança geral na percepção, perda da memória de curto prazo, boca seca, olhos avermelhados, redução da capacidade motora, além de, e principalmente, diminuir a capacidade mental e causar dependência. Todos esses efeitos exacerbados em caso de usuários esquizofrênicos, p.ex.
A maconha é a droga ilícita mais utilizada no mundo, e de inofensiva nada tem. Seus efeitos adversos não podem nem devem ser minimizados ou negligenciados. O uso frequente ou em grande quantidade pode acarretar ao aumento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial, aumentando os riscos de infarto, AVC e arritmias.
Nem sempre a maconha leva seus usuários ao uso de drogas mais perigosas, como cocaína e crack, mas pode, sim, ser porta de entrada para elas, com consequências amplas. desastrosas e incalculáveis. Só quem nunca passou pelo pesadelo de ter de lidar com um dependente químico na família pode cogitar a liberação da maconha. Bastaria sair dos gabinetes chiques dos “palácios de Brasília” para perceber o desespero de pais e mães cujos filhos estão dominados pelo uso de drogas, para constatar os danos financeiros às famílias e aos cofres públicos, danos emocionais, sociais, familiares e à saúde causados e verificar o quanto esses danos atingem não só as comunidades mais pobres e vulneráveis, localizadas nas periferias de pequenas e grandes cidades, mas também as mansões situadas nos bairro mais nobres onde vivem os mais abastados financeiramente.
O que muita gente não sabe é que plantas de cannabis também são utilizadas para produção de cânhamo industrial. No Brasil, o PL 399/2015 prevê além do plantio da cannabis para fins medicinais, a volta do cânhamo para objetivos industriais. No final das contas, enquanto os usuários tornam-se dependentes da droga e destroem a própria vida e de sua família, a possibilidade de lucros financeiros gigantescos com a liberação da droga no país enchem os olhos de políticos e empresários, já que o caule da planta pode ser transformado em fibras e utilizados na fabricação de fraldas, sapatos, papel etc.; as folhas, transformadas em polpa, servem para fabricação de papel e embalagens, cimento, fibra de vidro; as flores, quando tornadas extratos, servem para produzir óleos e destilados; e as sementes, tornadas óleos, margarina, biocombustível, e utilizadas em alimentos como a granola. O potencial econômico do plantio da droga é amplo e lucrativo e, obviamente, que os lucros foram calculados e considerados extremamente relevante, podendo chegar a movimentar algo em torno de quase 5 bilhões no país. E esse é o real interesse pela liberação da droga no país, pois com isso se poderá cultivar, e logo em larga escala, com lucros exorbitantes.
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