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Brasil Afunda na Corrupção e Vira Referência Internacional em Impunidade

Deputado admite envolvimento em esquema de 'rachadinha' e firma acordo com a PGR, mas nega irregularidades durante seu mandato. - Imagem: Reprodução | Redes Sociais
Deputado admite envolvimento em esquema de 'rachadinha' e firma acordo com a PGR, mas nega irregularidades durante seu mandato. - Imagem: Reprodução | Redes Sociais
Agenor Duque

por Agenor Duque

Publicado em 11/03/2025, às 08h56


O Brasil emitiu recentemente um alerta contundente sobre a crescente normalização da corrupção no país, destacando episódios emblemáticos que evidenciam a impunidade e o desmantelamento de mecanismos de combate a práticas ilícitas. Entre os casos ressaltados estão o acordo firmado entre a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o deputado federal André Janones, que confessou envolvimento em esquema de “rachadinha”, e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que enfraqueceram operações anticorrupção, como a Lava Jato.

Acordo de Não Persecução Penal com André Janones

O deputado André Janones (Avante-MG) celebrou um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com a PGR após admitir que, no início de 2019, devido à negativação de seu nome no SPC e Serasa, solicitou a um assessor parlamentar que providenciasse um cartão de crédito adicional para uso pessoal. Como parte do acordo, Janones comprometeu-se a devolver R$ 131.511 à Câmara dos Deputados e a pagar uma multa de R$ 26.302, correspondente a 20% do valor do dano ao erário. O pagamento será efetuado em duas etapas: uma parcela única de R$ 80 mil até 30 dias após a homologação do acordo e o restante em 12 parcelas mensais de R$ 6.484,48. 

Em nota, Janones negou a prática de “rachadinha” durante seu mandato, afirmando que a celebração do acordo não implica reconhecimento dessa conduta. Contudo, a investigação teve início após relatos de ex-assessores que denunciaram a devolução de parte dos salários ao deputado, prática caracterizada como “rachadinha”. Essas suspeitas ganharam força após a divulgação de um áudio de 2019, no qual Janones menciona a necessidade de auxílio financeiro de servidores para quitar dívidas pessoais. 

Decisões do STF e o desmonte da Lava Jato

A Transparência Internacional também criticou decisões recentes do STF que contribuíram para o desmonte de operações anticorrupção. Em particular, a organização destacou a decisão do ministro Dias Toffoli que anulou todas as provas obtidas no acordo de leniência da Odebrecht (atualmente Novonor), afetando processos em diversos países da América Latina. Essa medida foi interpretada como um retrocesso significativo no enfrentamento à macrocorrupção no Brasil. 

Em resposta, a Controladoria-Geral da União (CGU) emitiu nota ressaltando avanços na transparência governamental, como melhorias no Portal da Transparência, avanços na rastreabilidade de emendas parlamentares e o lançamento do Plano de Integridade e Combate à Corrupção 2025-2027, que contempla 260 ações estratégicas. A CGU também destacou o recorde de 47 operações contra a corrupção realizadas em 2024. 

Pior colocação no índice de percepção da corrupção

Esses acontecimentos refletem-se na posição do Brasil no Índice de Percepção da Corrupção de 2024, elaborado pela Transparência Internacional. O país registrou 34 pontos, ocupando a 107ª posição entre 180 países avaliados, a pior desde o início da série histórica em 2012. Essa queda de dois pontos e três posições em relação ao ano anterior indica um agravamento na percepção da corrupção no país. 

O relatório “Retrospectiva Brasil 2024”, publicado pela Transparência Internacional, aponta fatores que contribuíram para esse resultado negativo, como o silêncio do presidente Lula sobre a pauta anticorrupção, a renegociação de acordos de leniência para beneficiar empresas envolvidas em macrocorrupção sem transparência e a permanência no cargo de ministros indiciados por corrupção. Além disso, o relatório destaca a influência de empresários confessos de esquemas de corrupção no governo e a falta de transparência em programas como o Novo PAC. 

Repercussão internacional e críticas

A leniência no acordo com Janones e as decisões do STF geraram críticas de diversas figuras públicas e organizações internacionais. A Transparência Internacional denunciou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA o desmonte das políticas de combate à corrupção no Brasil, destacando a decisão do ministro Toffoli como exemplo de retrocesso. Representantes da organização afirmaram que, “se antes o Brasil exportava corrupção, agora exporta impunidade”. 

A Controladoria-Geral da União, por sua vez, alertou para as limitações metodológicas do Índice de Percepção da Corrupção, ressaltando que o índice mede a percepção, não a ocorrência real de corrupção. A CGU destacou que avanços concretos na transparência e no combate à corrupção não foram devidamente reconhecidos no índice, enfatizando o compromisso do governo com a governança democrática.  

Conclusão

A normalização da corrupção no Brasil, evidenciada por acordos judiciais brandos e decisões que enfraquecem operações anticorrupção, mina a confiança da sociedade nas instituições e compromete o combate à impunidade. O desmonte de investigações e a renegociação de acordos de leniência sem transparência favorecem agentes corruptos e consolidam um cenário de retrocesso.

Enquanto organismos internacionais denunciam a falta de compromisso do país com a integridade, o governo tenta minimizar os impactos negativos, alegando avanços na transparência e no controle de gastos públicos. No entanto, a percepção de que a corrupção segue impune persiste, refletindo-se na pior colocação do Brasil no Índice de Percepção da Corrupção desde 2012.

Reverter esse quadro exige um compromisso real da sociedade civil e das instituições brasileiras com a transparência e o fortalecimento do Estado de Direito. Sem medidas eficazes para coibir a impunidade, o país continuará a exportar não apenas corrupção, mas também a certeza de que, no Brasil, o crime compensa.


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