O arcebispo de Munique, um dos líderes da Igreja Católica na Alemanha, pediu demissão pelo que chamou de "catástrofe dos abusos sexuais" dentro da

Redação Publicado em 04/06/2021, às 00h00 - Atualizado às 13h25
O arcebispo de Munique, um dos líderes da Igreja Católica na Alemanha, pediu demissão pelo que chamou de “catástrofe dos abusos sexuais” dentro da instituição, em uma carta enviada ao Papa Francisco, divulgada nesta sexta-feira (4). Ele segue no cargo até que o Vaticano aprove sua saída.
No documento, datado de 21 de março, Reinhard Marx reconhece um “fracasso institucional” e diz considerar que muitos dos religiosos não querem aceitar essa responsabilidade. A sua demissão foi anunciada a poucos dias do Papa ter endurecido a legislação do Vaticano sobre abuso sexual.
“Alguns dentro da Igreja não querem aceitar esta responsabilidade e, portanto, a cumplicidade da instituição e, assim, se opõem a qualquer diálogo de reforma e renovação em conexão com a crise dos abusos sexuais”, escreveu Marx.
No mês passado, o Vaticano ordenou uma investigação sobre o tratamento dos casos de violência sexual de menores na diocese de Colônia – a maior da Alemanha –, que foi abalada por uma grave crise envolvendo o cardeal Rainer-Maria Woelki e de outros membros da diocese.
O cardeal Woelki é acusado de ter acobertado, por muito tempo, dois padres da comunidade religiosa de Düsseldorf, suspeitos de violência sexual.

Rainer Maria Woelki, arcebispo de Colônia, na Alemanha, durante a apresentação de relatório sobre vítimas de abusos sexuais — Foto: Ina Fassbender /AFP
Conhecido por ser um religioso muito conservador, Woelki se recusou, no ano passado, a publicar um relatório sobre abuso sexual em sua diocese, o qual ele mesmo havia encomendado. Alegou que dados e informações nele contidos deveriam ser protegidos.
A decisão irritou as vítimas, fez muitos fiéis abandonarem a diocese e gerou mal-estar dentro da Igreja.
O cardeal encomendou um segundo relatório, publicado em março. Segundo este novo documento, 314 menores, a maioria meninos com menos de 14 anos, sofreram violência sexual entre 1975 e 2018 na diocese. Os abusos foram cometidos, principalmente, por membros do clero.
Suspeitos de terem acobertado os crimes e de terem tratado os casos com negligência quando estes chegaram às suas mãos, alguns religiosos foram suspensos de suas funções. Neste relatório, não há acusações contra Woelki, mas isso não tem amenizado as críticas contra ele.
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G1
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