Traços que representam vida e formam arte através do voo das aves. As obras do fotógrafo e geólogo Xavi Bou inovam e despertam o imaginário.

Redação Publicado em 12/10/2020, às 00h00 - Atualizado às 12h50
Traços que representam vida e formam arte através do voo das aves. As obras do fotógrafo e geólogo Xavi Bou inovam e despertam o imaginário.
“Levei 10 anos para desenvolver meu projeto pessoal, porque queria criar algo novo e nunca antes visto. Em 2012, observado o rastro de uma cobra comecei a pensar sobre o rastro invisível que as aves deixam no céu e foi assim que a ideia começou”, conta.
Até então Xavi, que vive em Barcelona, na Catalunha, trabalhava com publicidade e propaganda na indústria da moda e era professor de fotografia. Desde de 2018 ele se dedica integralmente no projeto nomeado como “Ornitographies”.

As obras de arte são formadas por diversas fotos que se unem em um só registro. — Foto: Xavi Bou/Arquivo Pessoal
Para a obra final, mais de 60 frames por segundo são capturados através de uma câmera de cinema e juntados em uma única foto, o que dá o efeito do movimento das aves durante voo. Os traços formados ganham formatos diferentes à medida que cada espécie possui um tipo de voo para diversas finalidades.
Segundo o artista, o projeto tem a natureza como base, mas acima de tudo, é um convite para perceber o mundo com outro olhar. A intenção é tornar visível algo que já existe, mas que nós não conseguimos enxergar.

O voo de gaivotas-de-patas-amarelas (Larus michahellis) foi registrado em Barcelona, na Catalunha. — Foto: Xavi Bou/Arquivo Pessoal
“Eu quero mostrar o desenho que os pássaros deixam no céu e não o pássaro em si. Quem olha para as minhas obras enxerga linhas e não animais e é por isso que tudo sempre está aberto a novas interpretações”, diz.
A paixão pelos bichos e principalmente pelas aves começou na infância, quando o artista caminhava ao lado do avô nas regiões afastadas do centro urbano e ia aprendendo mais sobre a fauna e flora local.
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Na obra, o voo dos pombos na tradicional Corrida dos Pombos, em Barcelona. — Foto: Xavi Bou/Arquivo Pessoal
Conforme foi crescendo e trabalhando em outras áreas, o artista carregava a admiração pela natureza como hobby e viajava pelo mundo para observar novas espécies e paisagens. Inclusive, Xavi esteve no Brasil para visitar o pantanal, a maior planície alagada do mundo.
“Atualmente posso dizer que uni minha paixão com minha profissão. Trabalho fazendo artes inspiradas nas aves e viajo para vários países vendendo e expondo o meu trabalho. Estou muito feliz”, finaliza.

O artista Xavi Bou aprendeu a amar a natureza ainda cedo com o avô. Aqui, a obra foi feita com base no voo do abutre-fouveiro (Gyps fulvus). — Foto: Xavi Bou/Arquivo Pessoal.
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Por G1
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