O consumo do chá verde em pó está associado a benefícios cognitivos, mas há limites
Sabrina Oliveira Publicado em 03/04/2025, às 09h35
O matcha se tornou uma das bebidas mais populares dos últimos tempos. Ele aparece em cafés, sobremesas e até produtos de beleza. Mas será que essa fama se deve apenas à estética vibrante e ao marketing, ou ele realmente oferece benefícios para a saúde? Pesquisas recentes analisaram seus efeitos e os resultados trazem surpresas.
O matcha é um pó feito a partir das folhas da planta Camellia sinensis, a mesma usada para produzir chá verde e chá preto. A grande diferença está no processo de cultivo e preparo.
Enquanto o chá verde tradicional é feito com folhas secas que são mergulhadas em água quente, o matcha utiliza a folha inteira. As plantas são cultivadas à sombra antes da colheita, o que altera sua composição química e aumenta certos nutrientes. Após a colheita, as folhas são vaporizadas, secas e moídas até virarem um pó fino.
Por ser consumido integralmente, o matcha contém maior concentração de alguns compostos bioativos do que o chá verde comum. Entre eles, destacam-se:
Catequinas: Antioxidantes que podem ajudar no combate a inflamações e ao envelhecimento celular.
Teanina: Aminoácido que pode reduzir o estresse e melhorar o foco e a cognição.
Clorofila: Pigmento natural que pode ter efeitos detox e antioxidantes.
Cafeína: Em quantidade semelhante ao café, ela melhora a concentração e o estado de alerta.
Esse conjunto de substâncias faz com que o matcha seja apontado como um potencial aliado da saúde. Mas será que ele realmente entrega todos esses benefícios?
Pesquisadores analisaram os reais impactos do matcha no organismo. Um estudo de 2023 revisou cinco pesquisas sobre o tema e encontrou alguns benefícios:
Redução do estresse e da ansiedade: Participantes que consumiram 2 a 4 gramas de matcha por dia apresentaram menor nível de estresse.
Melhoria na memória e na cognição: Os compostos bioativos ajudaram no desempenho mental, principalmente em pessoas mais velhas.
Efeito positivo no sono: Um estudo mostrou que idosos que tomaram matcha dormiram melhor, mas em adultos mais jovens o efeito foi menor.
No entanto, algumas promessas associadas ao chá verde em pó não foram comprovadas. Um experimento sobre perda de peso, por exemplo, não encontrou diferença significativa entre quem consumiu matcha e quem não consumiu.
O matcha contém maior quantidade de catequinas e teanina do que o chá verde comum. Mas, apesar disso, ainda não existem estudos comparando diretamente os impactos dos dois no organismo.
Pesquisas sobre o chá verde tradicional indicam que ele pode reduzir o risco de doenças cardiovasculares, melhorar a função cerebral e auxiliar no controle do peso. Como o matcha contém compostos similares, acredita-se que os efeitos possam ser semelhantes ou potencializados.
O matcha pode ser uma ótima opção para quem busca uma bebida rica em antioxidantes e que forneça energia de forma equilibrada. Mas alguns cuidados são importantes:
O consumo excessivo pode causar irritação no estômago e insônia, devido à alta concentração de cafeína.
Produtos industrializados com matcha, como sorvetes e bolos, geralmente contêm grandes quantidades de açúcar, anulando os potenciais benefícios.
A qualidade do pó varia muito. Matchas mais baratos podem conter menos compostos bioativos e mais resíduos.
Para obter o melhor do matcha, a recomendação é optar por versões puras e orgânicas e consumi-lo sem adição excessiva de açúcar ou leite.