Integração entre Hapvida e SUS já mostra impacto positivo em pacientes que aguardavam procedimentos há meses

Programa “Agora Tem Especialistas” garante agilidade e expande rede de atendimento em diversas capitais

Presidente Lula recebe Jorge Pinheiro Koren de Lima, CEO da Hapvida, e Gustavo Ribeiro, vice-presidente da companhia - Imagem: Divulgação

Marina Milani Publicado em 16/08/2025, às 11h05

O Sistema Único de Saúde (SUS) iniciou nesta semana, em Recife, um projeto inédito de integração com a rede privada de saúde. Pacientes da capital pernambucana começaram a ser atendidos no Hospital Ariano Suassuna, da operadora Hapvida, dentro do programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde.

A iniciativa busca reduzir filas de espera e ampliar a oferta de consultas, exames e cirurgias especializadas. O diferencial está no modelo de financiamento: em vez de cobrança direta, as operadoras de planos de saúde que possuem dívidas de ressarcimento com o SUS poderão quitá-las oferecendo atendimento à população. Estima-se que até R$ 1,3 bilhão por ano possa ser convertido em serviços médicos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acompanharam pessoalmente o início dos atendimentos em Recife, destacando o caráter histórico da medida. “É a primeira vez que o SUS leva seus pacientes para serem atendidos em hospitais privados de planos de saúde, sem custo adicional para a rede pública”, afirmou Padilha.

Primeiros atendimentos

O projeto já começou com oito pacientes encaminhados para procedimentos no hospital da Hapvida. Entre eles, estão cirurgias ortopédicas e de vesícula, além de exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética. Uma das beneficiadas é Marilete Augusto Valério Santos, 67 anos, que aguardava há meses por uma ressonância para investigar dores no quadril. “Esperei três meses. Quando me avisaram que seria já, aceitei na mesma hora”, contou.

Critérios e áreas de prioridade

Os atendimentos seguirão as demandas indicadas pelos estados e municípios. A prioridade está em seis áreas consideradas críticas: oncologia, ginecologia, cardiologia, ortopedia, oftalmologia e otorrinolaringologia. O modelo também prevê que cada operadora ofereça um volume mínimo de serviços mensalmente, a depender do porte.

Apesar da novidade, os usuários do SUS continuarão a buscar os serviços inicialmente pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Quando houver necessidade, serão encaminhados para a rede pública ou, quando disponível, para hospitais credenciados de operadoras privadas.

Avanços no tratamento oncológico

Durante a agenda em Recife, o governo anunciou ainda novos investimentos para a rede oncológica do estado. O Hospital Português de Beneficência receberá R$ 15,3 milhões para ampliar o setor de radioterapia, incluindo a instalação de um segundo acelerador linear, equipamento de alta tecnologia utilizado no tratamento contra o câncer.

Além disso, outros R$ 2,6 milhões serão destinados ao custeio da ampliação de atendimentos, e um repasse anual de R$ 2,4 milhões reforçará os serviços de média e alta complexidade em Pernambuco. A medida prevê integração entre o hospital e a Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) do Hospital Barão de Lucena, otimizando a rede de cuidados para pacientes oncológicos do SUS.

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