ALERTA NO SUS

Farmacêutica ligada ao caso Banco Master atrasa entrega de insulina ao SUS e é cobrada pelo governo

Ministério da Saúde notificou empresa após pendência de mais de 1,5 milhão de doses; fornecimento atende milhares de pacientes da rede pública

Ministério da Saúde notificou farmacêutica responsável por fornecimento de insulina após atraso em entregas ao SUS. - Imagem: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

Redação Publicado em 25/05/2026, às 09h29

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O fornecimento de insulina para o Sistema Único de Saúde (SUS) entrou em alerta após o Ministério da Saúde notificar a farmacêutica Biomm por atrasos na entrega de milhões de doses do medicamento. A empresa, que até recentemente tinha participação acionária ligada ao Banco Master, afirma que os problemas ocorreram por causa da crise logística internacional e de conflitos na região do Golfo.

Registros públicos apontam que ainda faltam ser entregues mais de 1,57 milhão de doses de insulina previstas em contrato firmado com a Fundação Ezequiel Dias (Funed), laboratório público vinculado ao governo de Minas Gerais. O volume representa cerca de 20% de todo o acordo fechado em junho do ano passado para abastecimento da rede pública.

A produção dos medicamentos ocorre por meio de uma parceria entre a Funed, a Biomm e o laboratório indiano Wockhardt, dentro de um programa de transferência de tecnologia aprovado pelo Ministério da Saúde ainda em 2017.

A situação ganhou ainda mais repercussão porque a Biomm tinha como principal acionista, até abril deste ano, um fundo de investimentos ligado ao Banco Master, instituição financeira controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Após o avanço das investigações envolvendo o banco, o fundo foi liquidado e as ações acabaram transferidas ao Banco de Brasília (BRB), que posteriormente vendeu os papéis à gestora Alaska Asset Management.

Além do atraso, a empresa parceira indiana também enfrentou problemas regulatórios no Brasil. Pouco após a assinatura do contrato, a Wockhardt apresentou à Anvisa um pedido para alterar o processo de fabricação da insulina, mas a solicitação acabou sendo rejeitada pela agência após meses de análise técnica.

Segundo dados do governo federal, o contrato total prevê fornecimento superior a 8 milhões de doses, ao custo de R$ 142,1 milhões. Até agora, foram emitidas notas fiscais correspondentes a cerca de R$ 114 milhões em entregas.

Em nota, a Biomm afirmou que os contratos estão “substancialmente atendidos” e explicou que as mudanças no cronograma ocorreram devido a dificuldades globais de logística e fornecimento internacional da matéria-prima.

A empresa também informou que os produtos restantes já estariam prontos, aguardando apenas liberações e trâmites da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O Ministério da Saúde, por sua vez, garantiu que não há desabastecimento de insulina no SUS e afirmou que mantém distribuição regular aos estados. A pasta destacou ainda que o Brasil retomou a produção nacional de insulina após mais de 20 anos.

Nos bastidores do governo, no entanto, o fornecimento do medicamento segue sendo tratado como tema sensível, principalmente após a necessidade de contratos emergenciais com fornecedores estrangeiros para evitar risco de falta do produto na rede pública.

 

Veja o que diz a Biomm em nota oficial sobre o caso:

 

A Biomm esclarece que os Contratos 188/2025, referentes ao fornecimento de frascos de insulina humana regular e NPH, e 190/2025 ao Ministério da Saúde seguem sendo cumpridos em conformidade com os prazos contratuais. A companhia informa que os 445.618 tubetes remanescentes já estão disponíveis, aguardando apenas liberação da Anvisa, com entrega planejada até 31 de maio. Dessa forma, não procede a informação de que 1,57 milhão de doses deixaram de ser entregues ao Ministério da Saúde.

A companhia reafirma sua capacidade de atender à totalidade dos volumes de insulina solicitados pelo Ministério da Saúde para os pacientes do SUS e reforça seu comprometimento em reduzir a necessidade de o Brasil importar medicamentos cuja capacidade de produção já existe dentro do território nacional, fruto de investimentos no complexo industrial da saúde e da geração de centenas de empregos no Brasil.

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