A combinação entre ossos frágeis e falta de prevenção tem provocado internações e perdas irreparáveis
Sabrina Oliveira Publicado em 08/04/2025, às 15h06
Mais de 17 mil idosos procuraram atendimento hospitalar após quedas nos dois primeiros meses de 2024. Esse número, levantado pelo Datasus, revela uma realidade preocupante. À medida que o Brasil envelhece, aumentam também os casos de fraturas graves na terceira idade.
As quedas não costumam chamar atenção até que aconteçam. No entanto, quando envolvem pessoas com mais de 60 anos, o impacto é devastador. As lesões mais frequentes ocorrem no quadril e nos joelhos, áreas essenciais para a locomoção. Essas fraturas reduzem a qualidade de vida e comprometem a autonomia dos idosos.
O ortopedista Isaías Chaves aponta um fator-chave por trás dessa epidemia: a osteoporose. Segundo ele, a doença atinge principalmente mulheres e deixa os ossos frágeis. "A combinação entre fragilidade óssea e risco de queda transforma o cotidiano em uma armadilha", explica.
A idade traz uma série de desafios físicos. Com o tempo, a musculatura enfraquece, o equilíbrio diminui e a visão falha. Muitos idosos também fazem uso de medicamentos que alteram o estado de alerta ou provocam tontura. Em conjunto, esses fatores aumentam as chances de um tombo dentro de casa ou na rua.
O ambiente doméstico, muitas vezes, contribui para os acidentes. Tapetes soltos, pisos escorregadios e iluminação precária são armadilhas invisíveis que colocam em risco a saúde dos mais velhos.
Entre todas as lesões, a fratura de quadril é a que mais preocupa. "Ela muda completamente a vida da pessoa. Em muitos casos, o idoso perde a capacidade de andar ou se torna dependente para tarefas básicas", alerta o médico. Estudos indicam que metade dos idosos que sofrem esse tipo de fratura não recuperam a independência.
A boa notícia é que as quedas podem ser evitadas. A prevenção começa com mudanças simples. Veja algumas medidas recomendadas por especialistas:
Retirar obstáculos e tapetes soltos da casa
Instalar barras de apoio no banheiro e escadas
Melhorar a iluminação dos cômodos
Fazer acompanhamento médico para controlar a osteoporose
Praticar exercícios de equilíbrio e força muscular
Além disso, familiares e cuidadores devem estar atentos a sinais de instabilidade e oferecer apoio sempre que necessário.