Acordo prevê atuação conjunta para combater venda irregular de medicamentos e ampliar fiscalização em todo o país
Letícia Sales Publicado em 06/05/2026, às 13h26
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária e a Polícia Federal estão em fase de articulação para firmar um acordo de cooperação com o objetivo de intensificar o combate ao mercado ilegal de medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras”.
Esses produtos, utilizados no tratamento da obesidade e que têm como base substâncias como tirzepatida e semaglutida, vêm sendo comercializados de forma irregular, muitas vezes sem prescrição médica e sem garantia de procedência ou qualidade.
Segundo o diretor da Anvisa, Daniel Pereira, a parceria permitirá ampliar o enfrentamento a crimes relacionados à produção, importação e venda clandestina desses medicamentos, inclusive em plataformas digitais.
“Esta articulação ganha ainda mais relevância diante do aumento expressivo de eventos adversos associados ao uso destes medicamentos, muitas vezes sem prescrição médica ou com produtos sem qualquer garantia de qualidade, pureza ou segurança”, afirmou.
Ações conjuntas e operações recentes
A proposta de cooperação busca consolidar uma atuação integrada entre os órgãos, modelo que já foi testado em operações anteriores. Entre elas está a operação Heavy Pen, realizada recentemente em diversos estados, que resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão, além de ações de fiscalização em larga escala.
“Trata-se, portanto, de uma cooperação que vai além da resposta pontual. Ela consolida um modelo de atuação integrada, preventiva e baseada em evidências”, destacou Pereira.
As operações evidenciaram a dimensão do problema, com apreensão de produtos irregulares, interdição de estabelecimentos e identificação de substâncias sem registro sanitário.
Análise técnica e impacto na saúde pública
Com o acordo, medicamentos apreendidos passarão por análise conjunta: a perícia criminal ficará a cargo da Polícia Federal, enquanto a Anvisa fornecerá suporte técnico para avaliar a composição e os riscos dos produtos.
“Para a autoridade sanitária, isto é essencial à avaliação do risco concreto à saúde da população. Já para o Estado, os resultados fortalecem os inquéritos criminais, contribuindo para interromper cadeias ilícitas altamente organizadas, muitas, interestaduais e apoiadas em plataformas digitais”, explicou o diretor.
Ele ressaltou ainda que o avanço dessas práticas ilegais exige respostas coordenadas entre diferentes órgãos públicos.
“A saúde pública do século 21 exige instituições fortes, técnicas, éticas e comprometidas com o bem coletivo”, afirmou.
Desafio regulatório
A iniciativa também reforça a necessidade de equilíbrio entre o acesso a tratamentos e o rigor na fiscalização sanitária. Para a Anvisa, o combate ao comércio ilegal passa pela integração entre regulação, investigação e repressão criminal.
“Para ser efetiva, a atuação regulatória precisa dialogar, de forma estruturada, com as ações de fiscalização, investigação e repressão criminal”, concluiu Pereira.