Medicamento Veoza atua diretamente no sistema nervoso e surge como alternativa para mulheres que têm contraindicação ou rejeitam a terapia de reposição de hormônios
Letícia Sales Publicado em 23/06/2026, às 13h44
Uma nova era se abre para o bem-estar e a saúde feminina no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do primeiro medicamento não hormonal desenvolvido especificamente para combater os fogachos, as famosas e desconfortáveis ondas de calor que afetam a maioria das mulheres durante a menopausa. O remédio, que traz o princípio ativo fezolinetanto, será comercializado no país sob o nome de Veoza pela farmacêutica Astellas, em formato de comprimidos de uso diário.
Até então, o tratamento mais comum e eficaz para aplacar os calores repentinos e os suores noturnos era a terapia de reposição hormonal. O lançamento do fezolinetanto representa um divisor de águas, especialmente para as pacientes que não podem recorrer aos hormônios sintéticos — como mulheres com histórico de câncer de mama ou com graves contraindicações cardiovasculares — ou que simplesmente optam por não realizar esse tipo de tratamento por escolha pessoal.
Como funciona o "termostato" cerebral
Para entender a inovação da pílula, é preciso olhar para o cérebro. O hipotálamo funciona como o termostato natural do corpo humano. No período fértil, os estrogênios produzidos pelos ovários trabalham em perfeita harmonia com uma substância química cerebral chamada neurocinina B, mantendo a temperatura corporal sob controle.
Com a chegada da menopausa, a produção de estrogênio despenca e esse equilíbrio é quebrado. Sem o freio do hormônio, a neurocinina B passa a agir de forma hiperativa no hipotálamo, disparando falsos alarmes de que o corpo está superaquecido. É esse curto-circuito que gera o rubor na pele, o suor excessivo e a interrupção do sono.
Em vez de tentar repor o estrogênio perdido, o Veoza atua na raiz neurológica do problema. O comprimido bloqueia o receptor exato onde a neurocinina B se conecta. Ao impedir essa ligação, o medicamento devolve a estabilidade ao hipotálamo, reduzindo significativamente a frequência e a intensidade das crises de calor.
Próximos passos para a comercialização
Embora a aprovação da Anvisa tenha ocorrido nesta segunda-feira (22), as brasileiras ainda precisarão esperar um pouco para encontrar o produto nas prateleiras. O medicamento agora entra na fase de análise da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão responsável por definir o teto de preço de venda no país. Somente após a conclusão dessa etapa burocrática é que a farmacêutica poderá estipular uma data de previsão para a chegada oficial do remédio às farmácias.