Anvisa aprova medicamento que pode retardar avanço do diabetes tipo 1

Remédio é indicado para pacientes a partir de 8 anos que já apresentam sinais iniciais da doença, mas ainda não desenvolveram o quadro completo

Terapia atua no sistema imunológico para frear avanço da condição - Imagem: Reprodução

Lívia Gennari Publicado em 11/03/2026, às 10h41

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro de um novo medicamento voltado ao tratamento do diabetes tipo 1 no Brasil. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União na última segunda-feira (9), e abre caminho para a chegada do Tzield® (teplizumabe) ao mercado nacional.

O medicamento é indicado para pessoas a partir de 8 anos de idade que apresentam sinais iniciais da doença, em uma fase anterior ao desenvolvimento completo do diabetes tipo 1. Nessa etapa, o organismo já mostra alterações que indicam risco elevado de progressão, mas o paciente ainda não depende de aplicações regulares de insulina.

O diabetes tipo 1 é uma condição autoimune em que o sistema imunológico passa a atacar as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina, hormônio essencial para controlar os níveis de glicose no sangue. Com o tempo, essa destruição das células pancreáticas leva à necessidade permanente de tratamento com insulina.

Como o medicamento atua no organismo

De acordo com a agência reguladora, o teplizumabe atua modulando a resposta do sistema imunológico, com o objetivo de desacelerar o processo que danifica essas células. Na prática, o tratamento pode atrasar a progressão da doença para o estágio em que o organismo já não consegue mais produzir insulina de forma suficiente.

Especialistas apontam que o controle da glicemia no diabetes tipo 1 pode ser desafiador mesmo com tratamento adequado. Quando os níveis de açúcar no sangue permanecem elevados por longos períodos, aumentam os riscos de complicações como doenças cardiovasculares, problemas renais e danos à visão.

Apesar da autorização da Anvisa, o medicamento ainda não estará disponível imediatamente no país. Antes de chegar às farmácias, o produto precisa passar por etapas regulatórias adicionais, incluindo a definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Somente após essa fase poderá ser comercializado no Brasil.

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