Alerta sobre cúrcuma

Anvisa alerta para risco raro de danos ao fígado associado a suplementos com cúrcuma

Agência destaca que problema está ligado a cápsulas e extratos concentrados; uso da cúrcuma na alimentação continua considerado seguro

Sintomas como icterícia e cansaço intenso devem ser avaliados por médicos, com interrupção imediata do uso de produtos suspeitos - Imagem: Reprodução/Jacqueline Spotto-Anvisa

Letícia Sales Publicado em 09/03/2026, às 13h17

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)emitiu um alerta de farmacovigilância sobre o risco raro de inflamação e lesões no fígado associadas ao uso de medicamentos e suplementos alimentares que contêm cúrcuma, também conhecida como açafrão.

A decisão foi tomada após avaliações internacionais identificarem casos suspeitos de intoxicação hepática em pessoas que utilizaram produtos com cúrcuma ou curcuminoides, principalmente em cápsulas e extratos concentrados.

Segundo a agência, o risco está relacionado a formulações desenvolvidas para aumentar a absorção da Curcumina, principal substância ativa da planta. Essas versões concentradas fazem com que o organismo receba doses muito superiores às encontradas no consumo alimentar.

Autoridades regulatórias de países como Itália, Austrália, Canadá e França já haviam divulgado alertas semelhantes após registrarem casos de problemas hepáticos ligados ao uso desses suplementos.

Na França, por exemplo, a Agência Nacional de Segurança Sanitária da Alimentação, do Meio Ambiente e do Trabalho identificou dezenas de relatos de efeitos adversos relacionados ao consumo de produtos com cúrcuma ou curcumina, incluindo episódios de hepatite.

A cúrcuma é uma planta utilizada há séculos tanto como tempero quanto em preparações medicinais. Seu principal composto ativo, a curcumina, possui propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes.

Nos suplementos alimentares, porém, a substância costuma aparecer em concentrações muito maiores do que as encontradas na alimentação. Em muitos casos, as formulações incluem substâncias que aumentam sua absorção pelo organismo, como a Piperina.

Esse aumento de absorção faz com que uma quantidade maior da substância seja processada pelo fígado — órgão responsável por metabolizar e eliminar compostos químicos presentes no sangue. Em algumas pessoas, esse processo pode desencadear uma reação inflamatória nas células hepáticas, provocando um quadro conhecido como Hepatite medicamentosa.

Uso culinário continua seguro

A Anvisa reforça que o alerta não se aplica ao uso da cúrcuma na alimentação. O pó utilizado na culinária — comum em temperos e pratos como curries — é considerado seguro, pois as quantidades ingeridas na dieta são muito menores do que aquelas presentes em suplementos concentrados.

Sintomas que exigem atenção

A agência orienta que pessoas que utilizam esses produtos procurem avaliação médica caso apresentem sinais que possam indicar problemas no fígado, como:

Caso esses sintomas apareçam, a recomendação é interromper imediatamente o uso do produto e procurar atendimento médico.

Medidas adotadas pela Anvisa

Como medida preventiva, a Anvisa determinou a atualização das bulas de medicamentos que contêm cúrcuma, incluindo advertências de segurança. Entre os produtos citados estão Motore e Cumiah.

No caso dos suplementos alimentares, a agência informou que iniciará um processo de reavaliação do uso dessas substâncias. Além disso, deverá exigir a inclusão de alertas obrigatórios sobre possíveis efeitos adversos nos rótulos.

Eventos adversos relacionados a medicamentos podem ser registrados no sistema VigiMed, enquanto problemas ligados a suplementos e outros produtos podem ser comunicados por meio do e-Notivisa.

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