Pesquisa revela que 97,6% dos profissionais da Educação e 81,1% da Saúde relacionam sofrimento emocional às condições de trabalho; ansiedade, depressão e insônia lideram os relatos.
Ana Beatriz Publicado em 06/05/2026, às 14h57
O adoecimento mental entre servidores públicos estaduais de São Paulo atingiu níveis alarmantes, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira (5) pela APEOESP em parceria com entidades do funcionalismo público. O levantamento mostra que 97,6% dos profissionais da Educação e 81,1% dos trabalhadores da Saúde associam problemas emocionais diretamente às condições de trabalho.
Os dados revelam um cenário de desgaste contínuo entre servidores estaduais, com relatos frequentes de ansiedade, síndrome do pânico, depressão, burnout e distúrbios do sono. A pesquisa também aponta um crescimento significativo nos afastamentos médicos relacionados tanto à saúde mental quanto a problemas físicos causados pela rotina profissional.
Entre os trabalhadores da Educação, 41% afirmaram sofrer com ansiedade ou síndrome do pânico. Outros 33,5% relataram insônia e distúrbios do sono, enquanto 29,8% citaram depressão. O levantamento ainda mostra que quase um quarto dos profissionais já precisou se afastar do trabalho por questões ligadas à saúde mental.
Na área da Saúde, o quadro também preocupa. Segundo a pesquisa, 31,9% dos profissionais enfrentam insônia, 29,4% convivem com ansiedade ou síndrome do pânico e 25,2% relataram depressão. O índice de afastamentos por adoecimento mental chegou a 16% entre os entrevistados.
Além dos impactos psicológicos, os servidores também relatam problemas físicos associados à sobrecarga profissional. Na Educação, 80,2% afirmam que o adoecimento físico está diretamente ligado ao trabalho. Entre os sintomas mais citados aparecem dores nas costas, pernas e pescoço, dores de cabeça, hérnias e lesões por esforço repetitivo. Mais de 60% disseram já ter precisado se afastar das atividades por questões físicas.
Na Saúde, 72,3% dos profissionais também associam os problemas físicos à rotina de trabalho, enquanto 54,5% relataram afastamentos em algum momento da carreira.
Outro ponto destacado pelo levantamento é o impacto das mudanças na organização do trabalho, especialmente após o avanço da digitalização e do controle de desempenho. Segundo os dados, 86,3% dos profissionais da Educação afirmam que ferramentas digitais aumentaram a vigilância e a pressão sobre os trabalhadores, ampliando cobranças e metas individuais.
Especialistas e entidades sindicais alertam que o cenário pode gerar consequências graves para o funcionamento da rede pública estadual, com aumento de afastamentos, queda na qualidade dos serviços e agravamento da crise de saúde mental entre servidores. A pesquisa também reforça a necessidade de políticas públicas permanentes voltadas à prevenção do adoecimento físico e emocional no funcionalismo público.