Reinaldo Polito Publicado em 08/06/2025, às 08h00
Lula derrete nas pesquisas. O presidente amarga estratosféricos 43% de desaprovação e minguados 26% de respostas positivas, segundo levantamento da Genial/Quaest, divulgado em maio de 2025. Não querendo vestir a máscara de Cassandra com notícias ainda mais negativas, se dividirmos meio a meio o bolo da avaliação regular, que está em 28%, a conta seria ainda mais desalentadora.
Noves fora nada, com esse naco de mais 14% a rejeição subiria para um patamar de 57%, contra 40% de avaliação positiva. E essa leitura vai depender muito do prisma de quem estiver disposto a ver o copo meio cheio ou meio vazio. De um jeito ou de outro, nada poderia ser pior para Lula que esses indicadores às vésperas das eleições.
Sem paciência com os “picaretas”
Sem dinheiro, sem prestígio, sem planos concretos para adoçar a boca dos eleitores, Sidônio Palmeira precisará lançar mão de poções mágicas para encontrar soluções. Além de toda essa desgraceira, Lula não dá pistas de que esteja interessado assim, de corpo e alma, em dar sua mãozinha de contribuição.
Fazendo um exercício de empatia para calçar os sapatos do chefe do Executivo, deve ser desesperador para ele acordar pela manhã e receber a notícia do aumento do seu desprestígio. Afinal, ele já não é mais tão jovenzinho assim e, cá entre nós, com aquela cara de quem já está pelas tampas e sem paciência de “articular” com os que chamou no passado de 300 picaretas do Congresso.
Torcer para não cair ainda mais
Entretanto, vida que segue. É preciso renascer das cinzas, como já fez em outras oportunidades, e tentar virar o jogo. O quadro é esfumaçado. Além de ver sua popularidade definhar dia a dia, a torcida não é para que o gráfico mude de posição e volte a recuperar os números perdidos, mas sim para que não despenque mais do que despencou nos últimos levantamentos.
As tentativas, entretanto, têm sido em vão. Quando se imaginava que o fundo do poço já havia sido atingido, descobre-se que o buraco estava mais embaixo, muito mais profundo. As notícias ruins se acumulam em sucessivas manchetes da imprensa, por mais benevolentes que tentem ser os comentários de seus jornalistas. Tudo agravado pela competente mídia social da oposição.
Sucessão de notícias ruins
Um dia é o imposto das blusinhas. No outro, o caso do asilo político concedido a Nadine Heredia, ex-primeira-dama do Peru, que trouxe na bagagem do avião da FAB uma capivara de fazer inveja até a alguns de nossos políticos. Depois, as trapalhadas do PIX. E ainda no forno, sem sair das primeiras páginas, o roubo dos velhinhos do INSS. Só para citar alguns dos motivos dessa baixíssima popularidade.
De volta aos palanques
Se perguntar aos entrevistados por que não aprovam o presidente, poucos saberão dizer de forma clara e convicta quais são os motivos. Mas percebem no dia a dia o carrinho de supermercado cada vez mais vazio, o preço insustentável do combustível, as taxas de juros que estraçalham o bolso dos endividados, as constantes viagens do casal presidencial sem contrapartida evidente para a população. Mudar essa sensação é que são elas.
Depois de tanto maquinar, Sidônio, mais uma vez, recomenda que Lula volte a subir no palanque. Nesse ponto, posso dar meus pitacos com alguma autoridade. Talvez não exista ninguém que tenha analisado mais a comunicação de Lula do que eu. Já escrevi cerca de 200 textos avaliando seus discursos.
Arrebatava as massas
Comentei até em tom de brincadeira que sou capaz de prever o que o presidente vai dizer antes mesmo de ele pronunciar a primeira sílaba. O Ministro-Chefe da Secretaria de Comunicação Social deve ter seus motivos muito bem sustentados para tomar esse rumo na tentativa de conquistar resultados mais positivos nas próximas pesquisas.
Se, todavia, Lula continuar discursando como nos últimos tempos, o desfecho poderá ser ainda pior para sua imagem. O líder petista já foi, isso há muito tempo, um ótimo orador. Arrebatava as massas com suas ironias e brilhantes comparações com churrasco e futebol, que além de alegrar seus seguidores era uma forma eficiente de explicar o que pretendia dizer.
Improvisos decepcionantes
Ele perdeu a mão. Seus improvisos têm sido decepcionantes. Tanto é verdade que, não faz muito tempo, sua assessoria sugeriu que suas apresentações fossem lidas. Seguiu algumas vezes e funcionou. Mas quem segura o homem?! Basta ver um microfone que já quer colocar em prática sua criatividade verbal. E aí dá ruim.
O plano é fazer com que Lula seja o arauto dos pacotes de bondade eleitoreiros que o governo presenteará à população até o ano que vem. A ideia é, como já ensinava o astuto Jânio Quadros, fazer o mal de uma vez, e esse parece que já extrapolou os limites aceitáveis, e conceder o bem aos poucos, para que todos possam avaliar seus benefícios.
Sidônio terá muito trabalho pela frente. Da última vez, ele pediu um prazo de 90 dias para que os resultados de sua política marqueteira aparecessem. Já se passaram quase seis meses dessa promessa. E nada! Pelo contrário, só piorou. Vamos ver agora quais são as cartas que ele tem na manga. Diante dessa situação, só um Royal Flush no pôquer da comunicação. E, para isso, nem trapaceando ou com um blefe bem-ensaiado. O jogo dá a entender que as fichas já escaparam das mãos.