Investigadores apontam conversas do ministro nos aparelhos do banqueiro, mas conteúdo segue sigiloso
Lívia Gennari Publicado em 12/02/2026, às 16h10
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli determinou nesta quinta-feira (12), que todo o material apreendido pela Polícia Federal nos aparelhos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, seja encaminhado ao Supremo na íntegra. A medida reforça a intenção do magistrado de conduzir pessoalmente as apurações do caso Master.
A decisão ocorre após a PF protocolar no STF uma arguição de suspeição contra Toffoli, que foi encaminhada ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin. A petição não solicita o afastamento do relator, mas relata a existência de conversas envolvendo o ministro encontradas nos dispositivos de Vorcaro. O conteúdo dessas mensagens permanece sob sigilo.
Toffoli confirmou ser sócio da empresa Maridt, que figurou como uma das proprietárias do resort Tayayá, mas negou ter recebido recursos do banqueiro ou de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Segundo o gabinete do ministro, a sociedade é administrada por familiares, em conformidade com a Lei Orgânica da Magistratura (Loman), que permite participação societária desde que o magistrado não exerça funções de gestão.
Investigadores do caso apontam que será complexo cumprir integralmente a determinação de Toffoli, já que envolve o envio de dados de todos os celulares submetidos à perícia durante a Operação Compliance Zero. Há receio de que o compartilhamento completo das informações possa afetar outros inquéritos relacionados.
Apesar disso, a ordem evidencia o protagonismo do ministro na condução das apurações.
O caso Master, que investiga irregularidades envolvendo o Banco Master e seus sócios, segue em andamento, com Toffoli como relator responsável por decidir os próximos passos e acompanhar o desenrolar das investigações no STF.