The Economist põe em dúvida candidatura de Lula e cita “risco institucional”

The Economist compara Lula a Biden e critica a centralidade do presidente na política

- Imagem: Reprodução | O Globo

Redação Publicado em 31/12/2025, às 17h12

Um editorial publicado nesta terça-feira (30) pela revista britânica The Economist afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deveria concorrer à reeleição em 2026. O principal argumento da publicação é a idade do petista, que completou 80 anos em outubro. Caso seja eleito, Lula encerraria um eventual quarto mandato aos 85.

Segundo o texto, líderes com mais de 80 anos representam “riscos elevados” para a estabilidade política, mesmo quando acumulam experiência e popularidade. O editorial compara Lula ao ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden, que desistiu de tentar a reeleição alegando limitações impostas pela idade. “O carisma de Lula não é escudo contra o declínio cognitivo”, afirma o texto, que relembra que o presidente brasileiro tem apenas um ano a menos do que Biden tinha no início da campanha de 2024, encerrada de forma “desastrosa”.

A publicação avalia que o último ano de governo foi marcado por tensões institucionais e disputas internacionais, mas reconhece que Lula resistiu às pressões — inclusive à crise comercial com os Estados Unidos, durante o governo Trump. Ainda assim, segundo a revista, a forte centralidade do presidente na política nacional impede a renovação de lideranças no país.

Além da idade, a revista critica o desempenho econômico do governo, classificado como “medíocre”, e afirma que uma nova candidatura recolocaria em cena os escândalos de corrupção envolvendo o PT, que ainda dificultam a reconciliação de parte dos eleitores com o presidente.

O texto também registra o impacto da prisão de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe e o espaço político aberto no campo da direita. Apesar de condenado, Bolsonaro segue com influência — especialmente entre os evangélicos — e chegou a indicar o filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), como possível sucessor. A revista, porém, o define como “impopular” e “ineficaz”.

Entre os nomes citados como alternativas para 2026, The Economist destaca o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), descrito como “ponderado”, “democrata” e significativamente mais jovem do que Lula.

O editorial conclui que as eleições de 2026 serão decisivas para o futuro do país e defende uma renovação política. Para a revista, o ideal seria um candidato de centro-direita capaz de combinar compromisso ambiental, combate ao crime organizado e respeito às instituições democráticas.


 

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