STF reforça segurança para julgamento de Jair Bolsonaro sobre trama golpista

Polícia reforça vigilância em Brasília, com drones e monitoramento integrado; julgamento do ex-presidente e aliados ocorre na terça (2)

Célula de inteligência integrada acompanha movimentação em Brasília - Imagem: Wallace Martins/STF

Lívia Gennari Publicado em 01/09/2025, às 08h51 - Atualizado às 10h40

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta segunda-feira (1º) um esquema especial de segurança em Brasília, na véspera do julgamento que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados, acusados de participação em uma trama golpista.

Seguindo a determinação, o reforço no policiamento permanecerá ao menos até 12 de setembro, prazo previsto para a conclusão do julgamento. Agentes e viaturas da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) foram mobilizados para atuar no entorno do tribunal e na Praça dos Três Poderes.

Além do reforço policial, foi criada a Célula Presencial Integrada de Inteligência na Secretaria de Segurança Pública do DF. O centro reúne órgãos de segurança locais e federais, que acompanham movimentações em Brasília e monitoram as redes sociais para antecipar e prevenir possíveis ataques.

Desde agosto, o Supremo vem se preparando para o julgamento. Cerca de 30 agentes da Polícia Judicial foram deslocados de diferentes estados para reforçar a segurança. Parte deles permanece em alojamentos montados dentro da própria Corte, de forma a garantir resposta imediata em caso de necessidade.

Julgamento

A partir de terça-feira (2), os arredores do STF passarão a ser vigiados por um esquema de segurança integrado entre a Polícia Judicial Federal e a SSP-DF. Estão proibidas aglomerações que caracterizem manifestações e qualquer tentativa de acampamento nas proximidades da Corte.

Policiais também realizarão abordagens e revistas a pessoas que circularem nas vias de acesso, enquanto drones com imagem térmica monitorarão a área em operações diurnas e noturnas. Uma das principais preocupações das autoridades é a possibilidade de ações individuais de apoiadores de Bolsonaro.

Réus e acusações

O principal réu do julgamento é o próprio ex-presidente. Bolsonaro não tem obrigação de comparecer presencialmente, mas, caso decida ir, precisará de uma autorização do ministro Alexandre de Moraes, por estar em prisão domiciliar.

Ao todo, oito pessoas serão julgadas nesta primeira fase do processo, entre militares e ex-assessores ligados ao ex-presidente. Eles são acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de tentar romper a ordem democrática no país.

O chamado núcleo 1 da trama golpista responde por crimes que incluem integrar organização criminosa armada, atentado violento contra o Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado por violência e grave ameaça, além de deterioração de patrimônio público tombado. A soma das penas pode ultrapassar 40 anos de prisão.

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