STF marca acareação em investigação sobre fraudes no Banco Master

Ministro Dias Toffoli determinou que banqueiro, ex-presidente do BRB e diretor do Banco Central sejam colocados frente a frente para esclarecer versões divergentes

Dias Toffoli, ministro do STF e relator da investigação - Imagem: Andressa Anholete/STF

Lívia Gennari Publicado em 24/12/2025, às 14h30

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou para a próxima terça-feira (30), uma audiência de acareação no inquérito que investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). A decisão coloca frente a frente personagens centrais do caso, em uma tentativa de esclarecer contradições nos depoimentos já prestados à investigação.

Serão ouvidos o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino. Toffoli é o relator do processo no STF, que tramita sob sigilo.

O que é acareação?

A acareação é um procedimento jurídico utilizado quando há divergências relevantes entre versões apresentadas por investigados ou testemunhas. Ao reunir os envolvidos no mesmo ambiente, a Justiça busca confrontar os relatos e avançar na apuração dos fatos.

Com a acareação, o Supremo espera dar um passo importante para esclarecer responsabilidades e entender como funcionava o suposto esquema, que envolve cifras bilionárias e colocou dois bancos no centro de um dos inquéritos mais sensíveis em andamento no país.

Investigação

Segundo a Polícia Federal, o foco da investigação está na emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) pelo Banco Master com promessa de rendimentos muito acima do praticado no mercado — até 40% superiores à taxa básica. Para os investigadores, o retorno oferecido aos investidores era financeiramente inviável, o que levanta suspeitas de fraude. O esquema, de acordo com a PF, pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões.

A investigação ainda aponta para possíveis indícios de participação de dirigentes do BRB nas operações. Em março deste ano, o banco chegou a anunciar um acordo para adquirir o Banco Master, mas a negociação foi posteriormente barrada pelo Banco Central, o que aumentou a atenção sobre as transações entre as instituições.

Daniel Vorcaro chegou a ser preso pela Polícia Federal em novembro, mas foi solto poucos dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Já Paulo Henrique Costa foi afastado da presidência do BRB no último dia 18, em meio ao avanço das investigações.

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