A homologação das emendas pelo STF é um passo importante para evitar abusos e garantir que recursos sejam usados de forma responsável.
Gabriela Thier Publicado em 05/03/2025, às 13h51
Na quarta-feira (5), o Supremo Tribunal Federal (STF) deverá encerrar o julgamento referente à transparência das emendas parlamentares, um tema que vem provocando acalorados debates no contexto político do Brasil. A proposta do ministro Flávio Dino, que sugere um plano de homologação para a transferência e rastreabilidade dessas emendas, foi aprovada por unanimidade pelos membros da corte. O julgamento, que teve início na última sexta-feira, dia 28, em um plenário virtual, busca estabelecer critérios mais rigorosos para as emendas que serão incluídas no orçamento anual da União a partir de 2025. Com esta decisão, a liberação do pagamento das emendas estará condicionada à homologação pelo STF, fruto de um consenso entre a Suprema Corte, o Congresso Nacional e o Executivo.
Com as novas diretrizes, a destinação de emendas parlamentares passará a requerer justificativas detalhadas, incluindo a identificação do parlamentar responsável e da entidade beneficiada. Contudo, algumas emendas ainda permanecerão bloqueadas, especialmente aquelas destinadas a organizações não governamentais e entidades do terceiro setor que estão sob auditoria da Controladoria Geral da União. Além disso, os recursos voltados à saúde que não estão regularizados em contas específicas também se encontram restritos. O impasse sobre as emendas parlamentares remonta ao ano de 2022, quando o STF declarou inconstitucionais as emendas conhecidas como RP e RP9, que faziam parte do chamado orçamento secreto. Em resposta a essa decisão, o Congresso se comprometeu a criar novas regras; entretanto, o partido PSOL questionou a regularidade da transparência dessas emendas, resultando na suspensão de diversas delas pelo ministro Flávio Dino.
A deliberação do STF possui consequências significativas para a política brasileira, sublinhando a urgência de uma fiscalização mais rigorosa e de uma maior transparência no uso das emendas parlamentares. O montante destinado a essas emendas teve um crescimento expressivo, saltando de R$6,1 bilhões em 2014 para uma estimativa de R$52 bilhões em 2025. A homologação dos novos critérios pelo STF visa assegurar um controle mais efetivo sobre esses recursos, frequentemente utilizados como instrumentos de negociação política pelo governo.