Durante a leitura da sentença, a juíza Lúcia Glioche destacou que a justiça pode ser lenta e imperfeita, mas eventualmente alcança aqueles que acreditam estar acima dela
William Oliveira Publicado em 01/11/2024, às 08h00
Após um julgamento que se estendeu por quase sete anos, o 4º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro proferiu, nesta quarta-feira (30), a sentença condenatória para os responsáveis pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O crime, ocorrido em 14 de março de 2018, teve ampla repercussão nacional e internacional.
Ronnie Lessa, ex-policial militar apontado como o autor dos disparos que ceifaram a vida de Marielle e Anderson, foi condenado a 78 anos e 9 meses de prisão. Já Élcio Queiroz, também ex-PM e motorista do veículo utilizado no crime, recebeu uma sentença de 59 anos e 8 meses. Ambos os réus haviam firmado acordos de delação premiada, o que resultará na redução das penas impostas inicialmente. O Ministério Público, insatisfeito com as penas aplicadas, anunciou que recorrerá da decisão.
Durante a leitura da sentença, a juíza Lúcia Glioche destacou que a justiça pode ser lenta e imperfeita, mas eventualmente alcança aqueles que acreditam estar acima dela. A decisão do júri foi recebida com alívio e emoção pelos familiares das vítimas presentes no tribunal. Entre os presentes estavam os pais de Marielle, sua irmã Anielle Franco, sua filha Luyara Santos e as viúvas Mônica Benício e Ágatha Arnaus.
Os crimes atribuídos a Lessa e Queiroz incluem duplo homicídio triplamente qualificado e tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves, assessora de Marielle que sobreviveu ao atentado. Além disso, ambos foram responsabilizados pela receptação do carro utilizado no ataque.
No campo financeiro, ambos os condenados deverão pagar indenizações por danos morais às famílias das vítimas, totalizando R$ 3,53 milhões. Eles também terão que arcar com pensões mensais para o filho de Anderson até que este complete 24 anos.
Apesar das penas significativas, o acordo de colaboração premiada permitirá que Élcio Queiroz cumpra no máximo 12 anos em regime fechado, enquanto Ronnie Lessa poderá sair da prisão após 18 anos em regime fechado e mais dois anos em semiaberto. Esses prazos consideram o tempo já cumprido desde suas prisões em março de 2019.
O julgamento expôs detalhes chocantes sobre o planejamento e execução do crime. Segundo relatos colhidos durante as audiências, Lessa admitiu ter planejado o assassinato como parte de um acordo para liderar uma nova milícia no Rio de Janeiro. As investigações ainda tentam esclarecer possíveis motivações relacionadas à grilagem de terras.
As investigações prosseguem em instâncias superiores para identificar os mandantes do crime. Em junho deste ano, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou denúncias contra os supostos mandantes, incluindo nomes influentes como Chiquinho Brazão, deputado federal à época dos fatos.
Além de Chiquinho, seu irmão, Domingos Brazão, e o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, também são investigados como os mandantes da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
Assista ao momento da condenação: