De volta ao cargo

Rodrigo Manga volta à prefeitura de Sorocaba após decisão do STF e promete retomar passe livre estudantil

Prefeito afastado há cinco meses por suspeita de desvio na Saúde comemora decisão de Nunes Marques; defesa diz que ele não renunciará para disputar eleições

O retorno de Manga ocorre em meio a um cenário jurídico complicado, com denúncias de corrupção ainda pendentes - Imagem: Reprodução/Mike Adas/TV TEM

Letícia Sales Publicado em 01/04/2026, às 12h38

O prefeito afastado de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), anunciou nesta quarta-feira (1º) que está de volta ao comando da prefeitura, um dia após o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar seu retorno ao cargo. Em vídeo publicado nas redes sociais, o político — que ficou conhecido como "prefeito tiktoker" pelos vídeos virais durante a gestão — comemorou a decisão e listou as primeiras medidas que pretende adotar.

"Deus fez justiça na minha vida e eu voltei. E Deus usou um membro da Suprema Corte pra corrigir tamanha injustiça", disse Manga. Na sequência, ele afirmou que determinará uma análise para retomar o transporte gratuito a todos os estudantes da cidade e também para convocar imediatamente os guardas civis municipais aprovados em concurso que ainda aguardam nomeação.

Manga foi afastado do cargo em 6 de novembro de 2025, no âmbito da segunda fase da Operação Copia e Cola, da Polícia Federal, que investiga um esquema de desvio de verbas em contratos da Saúde em Sorocaba. O vice, Fernando Martins (PSD), assumiu a prefeitura nos últimos cinco meses.

A decisão de Nunes Marques, proferida na terça-feira (31), revogou o afastamento cautelar que havia sido mantido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Na avaliação do ministro, a medida representava uma "intervenção excessiva na esfera política e administrativa do município". O caso ainda será levado ao plenário da 2ª turma do STF para apreciação.

O transporte gratuito para estudantes, instituído em janeiro de 2025, foi suspenso pela gestão interina sob a justificativa de dificuldades financeiras, a dívida da cidade ultrapassava R$ 700 milhões. O fim do benefício gerou repercussão negativa: no início do ano, um abaixo-assinado com mais de 1.700 assinaturas foi entregue à Câmara de Vereadores contra a medida. Já o concurso para a Guarda Civil Municipal, com 330 vagas, teve cerca de metade preenchida, e aprovados cobram há anos a convocação dos remanescentes.

O advogado de Manga, Daniel Leon Bialski, afirmou nesta quarta-feira que o prefeito não pretende renunciar ao cargo para disputar as eleições de outubro, embora o prazo para desincompatibilização se encerre no sábado (4). Segundo o criminalista, Manga permanecerá no cargo até o último dia do mandato.

A decisão do STF ocorre em meio a um cenário jurídico delicado. Em fevereiro, o Ministério Público Federal denunciou 13 pessoas por crimes como organização criminosa, peculato, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e frustração de licitação. Entre os denunciados estão Rodrigo Manga, a esposa Sirlange Frate Maganhato e a mãe dele, Zoraide Batista Maganhato.

Em nota, a defesa de Manga celebrou o retorno: "Efetivamente, a Suprema Corte, guardiã da Constituição Federal, reconheceu a inexistência de razões e fundamentos para a manutenção do afastamento temerário e precipitado, à mingua de elementos mínimos que pudessem evidenciar qualquer ilicitude praticada pelo Prefeito Manga".

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