Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, versões preliminares do acordo de colaboração mencionam supostos repasses de R$ 20 milhões via caixa dois para campanha ao Senado. Investigadores consideram os relatos insuficientes para avanço das apurações.
Ana Beatriz Publicado em 11/06/2026, às 10h25
As propostas de acordo de colaboração premiada apresentadas pelo ex-proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, mencionam o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, como suposto destinatário de recursos não declarados para a campanha de reeleição ao Senado. A informação foi divulgada pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, e faz parte das negociações conduzidas entre a defesa do empresário, a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
De acordo com a publicação, duas versões preliminares da proposta de delação foram encaminhadas às autoridades. Os documentos mencionariam um montante de R$ 20 milhões em supostos repasses realizados por meio de caixa dois, mas não apresentariam detalhes sobre eventuais contrapartidas ou elementos adicionais capazes de sustentar as alegações.
Segundo fontes ligadas às investigações, Alexandre Silveira seria o único integrante do atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva citado nas propostas de colaboração atribuídas a Vorcaro. No entanto, integrantes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal avaliam que, até o momento, os relatos não apresentam informações suficientes para justificar o aprofundamento das apurações ou a instauração de novas medidas investigativas.
Pessoas próximas ao ministro afirmam que não existia relação entre Alexandre Silveira e Daniel Vorcaro no período mencionado e negam qualquer irregularidade envolvendo a campanha eleitoral do parlamentar. Até o momento, não há informação pública sobre eventual homologação do acordo de colaboração ou sobre a existência de provas materiais que confirmem as alegações.
Daniel Vorcaro está no centro das investigações relacionadas ao chamado caso Banco Master e negocia um acordo de colaboração premiada com as autoridades federais. As tratativas ainda dependem de avaliação da PF e da PGR, que poderão aceitar, rejeitar ou solicitar complementações nas informações apresentadas.
Especialistas em direito penal ressaltam que propostas de delação premiada representam apenas uma etapa inicial do processo investigativo e que as informações fornecidas pelos colaboradores precisam ser corroboradas por outras provas para que possam produzir efeitos judiciais.