Ministro da Justiça avisou que pretende deixar o cargo ainda em janeiro, abrindo espaço para mudanças na estrutura do governo em ano pré-eleitoral
Marina Milani Publicado em 07/01/2026, às 09h04
A iminente saída do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, reacendeu no Palácio do Planalto a discussão sobre a criação de um Ministério da Segurança Pública. Lewandowski já comunicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que pretende deixar o cargo em janeiro e manifestou, inclusive, o desejo de que isso ocorra ainda nesta semana.
Diante do cenário, auxiliares próximos ao presidente defendem que Lula aproveite a vacância para antecipar uma reforma ministerial e colocar em prática um plano antigo: separar a área de segurança pública da pasta da Justiça, criando um ministério específico para o tema.
Inicialmente, Lula condicionava a criação do novo ministério à aprovação da PEC da Segurança Pública, que ainda tramita no Congresso e, nas projeções mais otimistas, só deve ser votada por volta de maio. Para interlocutores do presidente, esperar até lá reduziria o impacto político da medida e deixaria pouco tempo para que a nova estrutura produzisse resultados visíveis antes da campanha eleitoral de 2026.
A segurança pública aparece de forma recorrente como uma das maiores preocupações da população brasileira e é considerada um dos pontos mais sensíveis do governo Lula nas pesquisas de opinião. O tema tem sido explorado pela oposição, especialmente pela direita, com discursos de endurecimento no combate à criminalidade, que encontram eco em parte do eleitorado.
Dentro do PT, cresce a avaliação de que a criação de um ministério exclusivo para a área poderia sinalizar prioridade política, reforçar a coordenação de ações nacionais e responder a críticas sobre a falta de protagonismo do governo federal no enfrentamento da violência.
A proposta não é inédita. O Ministério da Segurança Pública já existiu durante o governo Michel Temer e foi comandado pelo então ministro Raul Jungmann, com foco na articulação entre forças federais, estados e municípios.
Além da possível saída de Lewandowski, Lula também terá de lidar, nas próximas semanas, com mudanças em outras áreas estratégicas do governo. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já comunicou ao presidente a intenção de deixar o cargo até fevereiro. Nesse caso, a sucessão estaria em estágio avançado, com a possibilidade de efetivação do atual secretário-executivo, Dario Durigan, no comando da pasta.
Ao longo de janeiro, o presidente também pretende se reunir com ministros que planejam disputar as eleições de 2026 e que, pela legislação eleitoral, precisarão deixar seus cargos até o início de abril. A expectativa no Planalto é alinhar essas saídas e promover ajustes ministeriais de forma coordenada, evitando desgastes políticos em um ano decisivo para o governo.