Corte analisa modelo de sucessão após renúncia de governador com disputa entre voto popular, eleição indireta e manutenção de interino no cargo.
Ana Beatriz Publicado em 07/04/2026, às 12h18
A Procuradoria-Geral da República defendeu ao Supremo Tribunal Federal a realização de eleição direta para definir o próximo governador do Rio de Janeiro, em meio a uma das maiores crises políticas recentes do estado.
A manifestação da PGR ocorre no contexto da vacância do cargo após a renúncia do então governador Cláudio Castro, que deixou o posto para disputar as eleições de outubro. Desde então, o comando do estado está sob responsabilidade interina do presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto de Castro.
O STF deverá decidir nos próximos dias qual modelo será adotado para a sucessão. As opções são eleição direta, com participação da população, ou eleição indireta, realizada pela Assembleia Legislativa do Rio. A Corte, no entanto, está dividida e ainda não há maioria consolidada para nenhuma das alternativas.
Nos bastidores, ministros já indicaram posições divergentes. Parte da Corte defende que a escolha seja feita diretamente pelos eleitores. Outra ala sustenta que deve prevalecer o modelo indireto previsto na legislação estadual.
Além dessas duas possibilidades, também surgiu uma terceira alternativa em discussão. A proposta considera a manutenção de Ricardo Couto de Castro no comando do governo até o fim do ano, com a antecipação da posse do vencedor das eleições regulares de outubro.
A crise sucessória ganhou força após a chamada dupla vacância, quando tanto o cargo de governador quanto o de vice ficam vagos. Esse cenário exige uma definição rápida sobre o modelo de escolha do novo chefe do Executivo estadual.
O julgamento no STF também tem impacto direto no cenário político. Uma eleição indireta pode favorecer articulações dentro da Assembleia Legislativa. Já a eleição direta levaria a disputa para o voto popular em um curto intervalo antes das eleições gerais, ampliando a tensão política no estado.
Especialistas apontam que a decisão do Supremo terá efeito não apenas jurídico, mas também eleitoral, já que pode influenciar diretamente o equilíbrio de forças na disputa pelo Palácio Guanabara.
A decisão final ainda não tem data definida, mas deve ocorrer nos próximos dias diante da urgência institucional e do impacto direto na governabilidade do estado.