Operação Compliance Zero

PF prende primo de Daniel Vorcaro em nova fase de investigação sobre Banco Master

Quinta fase da Operação Compliance Zero foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, e apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro. Investigação também determinou bloqueio de quase R$ 19 milhões em bens e valores.

Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, preso temporariamente durante a ação - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 07/05/2026, às 09h49

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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (7), a quinta fase da Operação Compliance Zero, que aprofunda as investigações sobre o escândalo envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Entre os alvos da operação estão o senador Ciro Nogueira e Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, preso temporariamente durante a ação.

Ao todo, a PF cumpre 10 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. A decisão também determinou o bloqueio de bens, direitos e valores estimados em R$ 18,85 milhões.

Segundo as investigações, Felipe Cançado Vorcaro seria apontado como operador financeiro ligado ao núcleo investigado pela Polícia Federal. Ele foi preso na Grande Belo Horizonte e levado para a sede da PF na capital mineira.

A nova fase da operação também colocou no centro das investigações o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas. De acordo com relatórios da PF enviados ao STF, os investigadores apuram uma suposta relação de favorecimento entre o parlamentar e Daniel Vorcaro. A suspeita é de que o senador teria atuado em favor de interesses ligados ao Banco Master em troca de vantagens econômicas indevidas.

Entre os elementos analisados pela PF está uma proposta de ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que elevaria o teto de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Segundo os investigadores, integrantes do Banco Master teriam participado diretamente da elaboração da proposta apresentada pelo senador.

Documentos da investigação também apontam suspeitas de pagamentos mensais e benefícios ligados ao empresário Daniel Vorcaro. Em decisão judicial, André Mendonça afirmou haver, em tese, indícios de um “arranjo funcional e instrumentalmente orientado para obtenção de benefícios mútuos”, extrapolando relações pessoais entre os investigados.

Além das buscas, o STF determinou medidas cautelares contra investigados, incluindo proibição de contato entre envolvidos e testemunhas. Raimundo Nogueira, irmão de Ciro Nogueira, também foi alvo das diligências realizadas pela PF.

A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção, manipulação de mercado e emissão de títulos sem lastro ligados ao Banco Master. As apurações tiveram início em 2024 e ganharam força após a prisão de Daniel Vorcaro em novembro de 2025, quando o empresário foi detido pela PF no Aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar em um jato particular.

Nas fases anteriores da operação, a PF já havia realizado prisões de executivos, operadores financeiros, ex-dirigentes do BRB e pessoas ligadas ao núcleo empresarial investigado. O caso é considerado uma das maiores investigações financeiras recentes do país.

Até a última atualização desta reportagem, a defesa dos investigados ainda não havia sido localizada para comentar as acusações.

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