Fraude no INSS

PF e CGU realizam nova fase da Operação Sem Desconto contra fraudes em aposentadorias

Investigação apura descontos indevidos em benefícios do INSS e suspeita de desvio bilionário envolvendo aposentados e pensionistas

A primeira fase da operação resultou em prisões e apreensões de bens avaliados em mais de R$ 1 bilhão, com forte atuação policial - Imagem: Reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil

Letícia Sales Publicado em 27/05/2026, às 11h49

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram nesta quarta-feira (27) uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

As ações acontecem nos estados de Pernambuco, São Paulo e Paraíba, além do Distrito Federal. Segundo a PF, estão sendo cumpridos 31 mandados de busca e apreensão, além de oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico e outras determinações autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal.

Em nota oficial, a corporação informou que esta etapa da operação busca aprofundar as investigações sobre crimes ligados à administração pública.

“Nesta fase, a ação tem como finalidade aprofundar as investigações que visam esclarecer a prática de diversos crimes contra a administração pública, tais como constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e de dilapidação patrimonial”, destacou a PF.

A ofensiva é um desdobramento de outras operações já realizadas ao longo do último ano. Em março, a PF e a CGU executaram a Operação Indébito, também ligada ao esquema, com mandados cumpridos no Ceará e no Distrito Federal. Na ocasião, houve prisões, apreensões e medidas cautelares contra suspeitos envolvidos nas fraudes.

As investigações começaram após a identificação de irregularidades em cobranças aplicadas diretamente sobre benefícios previdenciários de aposentados e pensionistas. Segundo os investigadores, entidades associativas teriam realizado descontos sem autorização dos beneficiários entre os anos de 2019 e 2024.

A estimativa é que o esquema tenha movimentado cerca de R$ 6,3 bilhões no período investigado. Durante as primeiras fases da operação, pelo menos seis servidores públicos foram afastados de suas funções por suspeita de participação nas irregularidades.

Na etapa inicial da Operação Sem Desconto, realizada em abril de 2025, cerca de 700 policiais federais e 80 servidores da CGU participaram do cumprimento de mais de 200 ordens judiciais em diferentes estados e no Distrito Federal. Também foram determinadas apreensões de bens avaliados em mais de R$ 1 bilhão e prisões temporárias de investigados.

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