Operação Narco Sky é desdobramento de investigação que apura envio de drogas do Brasil para Europa e África por rotas marítimas
Letícia Sales Publicado em 02/06/2026, às 13h30
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (3) a Operação Narco Sky, nova fase de uma ampla investigação contra uma organização criminosa suspeita de atuar no tráfico internacional de cocaína. A ação busca aprofundar as apurações sobre um esquema que utilizava embarcações para transportar grandes carregamentos da droga do Brasil para países da Europa e da África.
A ofensiva é resultado de desdobramentos da Operação Narco Vela, considerada uma das mais importantes investigações recentes da corporação voltadas ao combate do narcotráfico transnacional por vias marítimas.
Ao todo, foram expedidos dez mandados de prisão preventiva nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Pará. Segundo a Polícia Federal, cinco dos investigados já haviam sido presos em etapas anteriores da investigação.
As apurações apontam para uma estrutura criminosa altamente organizada, com divisão de funções entre financiadores internacionais, coordenadores logísticos, operadores portuários e responsáveis pela preparação das embarcações utilizadas nas travessias oceânicas.
Entre os principais alvos está Antun Mrdeza, conhecido pelos apelidos “Jhon Gotti” e “Nikola Boro”. De acordo com a PF, ele integra o núcleo estrangeiro responsável pelo financiamento e pela coordenação das remessas de cocaína, além de controlar embarcações e ativos utilizados no transporte da droga.
Outro investigado de destaque é Alejandro Salgado Vega, chamado de “Tigre” pelos integrantes da organização. Conforme a investigação, ele atuaria na coordenação das cargas destinadas ao mercado europeu, acompanhando o deslocamento dos carregamentos e organizando o recebimento das remessas no exterior.
No Brasil, a Polícia Federal aponta Marco Aurélio de Souza, conhecido como “Lelinho” ou “Pirata”, como um dos principais articuladores da operação criminosa. Ele seria responsável por conectar fornecedores estrangeiros aos integrantes da estrutura nacional, coordenando o armazenamento e o embarque da droga em navios e outras embarcações.
As investigações também identificaram suspeitos envolvidos em tarefas específicas, como manutenção de veleiros, movimentação da droga em território nacional, comunicação criptografada e apoio logístico para o transporte dos carregamentos.
A Polícia Federal afirma que a nova etapa da operação busca reunir mais provas sobre a atuação da organização, identificar outros integrantes e interromper rotas utilizadas para o tráfico internacional de entorpecentes.