DISCURSO

Na ONU, Lula diz que democracia e soberania do Brasil são “inegociáveis”

Em seu discurso, Lula destaca a responsabilização de ex-presidentes e a importância da defesa do Estado Democrático de Direito no Brasil

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a abertura do Debate Geral da 80.ª Sessão Ordinária da Assembleia Geral das Nações Unidas - Imagem: Reprodução / Ricardo Stuckert / PR

William Oliveira Publicado em 23/09/2025, às 11h50

Nesta terça-feira (23), durante a abertura da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso enfático, reafirmando a posição do Brasil contra ações unilaterais e arbitrárias que afetam as instituições e a economia do país.

Lula classificou como “inaceitável” qualquer agressão à independência do Poder Judiciário, ressaltando que tais ataques contam com o apoio de setores da extrema direita que tentam reverter conquistas democráticas. Ele denunciou a atuação de “falsos patriotas” que, segundo ele, orquestram e propagam ações prejudiciais ao Brasil.

“Falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil. Não há pacificação com impunidade”, afirmou o presidente.

Em sua fala, destacou ainda um marco histórico na política brasileira: pela primeira vez em 525 anos, um ex-presidente foi responsabilizado judicialmente por ameaçar o Estado Democrático de Direito. Lula frisou que esse ex-chefe de Estado foi alvo de investigações rigorosas, teve direito à ampla defesa — algo inexistente em regimes autoritários — e foi julgado de acordo com as leis.

O presidente também enviou um recado direto à comunidade internacional, afirmando que o Brasil deu um alerta aos autocratas e seus apoiadores: “Nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis”. Reforçou ainda o compromisso com a independência nacional e com a construção de um povo livre de qualquer forma de tutela. Para Lula, uma democracia sólida vai além do processo eleitoral, exigindo esforços permanentes para reduzir desigualdades e assegurar direitos fundamentais.

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